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Entre o Equilíbrio e o Movimento

✍️ Desconhecido 📅 16/08/2026 👁️ 3 Leituras

Estoicismo, Alostase, Adaptação Hedónica e o Prumo

alostase, equilíbrio
[1]

Cada momento vivido é único, insubstituível e perdido para sempre assim que se esvai. Mesmo um gesto repetido — uma saudação, um juramento, um rito — nunca é idêntico à sua versão anterior. O tempo esculpe um abismo qualitativo entre os instantes. O que se repete é apenas a aparência; nas suas profundezas, tudo é novo e tudo já passou.

Vladimir Jankélévitch (3)

Há irmãos que, mesmo “adormecidos” (5), continuam a te instigar e este texto, nasceu de mais uma destas provocações, considerando, especialmente, que estes conceitos se entrelaçam nos seus ricos aspectos religiosos, ritualísticos, filosóficos ou neurobiológicos (1).

Como humanos, vivemos em constante luta e fuga, exigindo dos nossos mecanismos psicofisiológicos um constante e desgastante esforço para manter-nos equilibrados e medianamente saudáveis. E nesta busca pelo equilíbrio, o conhecimento é uma importante ponte para a nossa adaptação aos factores estressores cada vez mais presentes no nosso quotidiano. E não se trata de negar as emoções, mas de compreendê-las e escolher não ser arrastado por elas.

Conceitualmente, o Estoicismo representa o domínio racional sobre as emoções e a aceitação serena do que não se pode controlar; é o peso da razão. É o polo da estabilidade interior, da constância, da virtude e da razão, diante deste esforço contínuo de não se tornar refém das oscilações do prazer e da dor.

A Adaptação Hedónica descreve a tendência humana de retornar a um nível basal de bem-estar após ganhos ou perdas. É o peso do desejo, o polo da flutuação emocional, da busca e da saciedade, embora devamos ter a consciência de que tanto o prazer como o sofrimento são transitórios e que os nossos mecanismos psicofisiológicos, por isto, tenderão sempre, a recalibrar o nosso “nível de felicidade”. Este movimento é incessante e faz-nos buscar sempre mais, enquanto, paradoxalmente, podemos sentir menos.

Por outro lado, a Alostase é quem representa o mecanismo fisiológico que tenta manter o equilíbrio dinâmico, não pela constância, mas pela mudança adaptativa. É o fiel da balança, entre a o estresse secundário ao nosso entorno social como ser biológico não estático e a homeostasia desejada, ajustando  o sistema, não sem custo, conforme o contexto e as circunstâncias, na perseguição do equilíbrio funcional e emocional; é o mecanismo que permite que o ser humano se mantenha funcional e emocionalmente estável, mesmo em meio à mudança. É a harmonia dinâmica entre razão (Estoicismo) e emoção (Adaptação Hedónica) (2).

O verdadeiro equilíbrio não é ausência de movimento, é dinâmico, buscando a harmonia entre estas forças opostas. Ser estóico não é ser frio; é compreender que o prazer e a dor são partes de um mesmo ciclo. A Alostase é o ponto de convergência — o espaço onde razão e emoção se encontram para sustentar a vida em constante transformação. O desafio não é eliminar o desejo nem sufocar a emoção, mas aprender a ajustar o fiel. A serenidade nasce quando aceitamos que o equilíbrio é uma dança, não uma pausa. E nessa dança, o corpo e a mente se tornam instrumentos de uma sabedoria que se renova a cada instante (2).

Conhecemos a célebre frase de Antoine Lavoisier (4):

Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”; a corruptela popular, entretanto, diz que “nada se cria, tudo se copia”.

Digo isto, porque:

Mostrou-me também isto: eis que o Senhor estava sobre um muro levantado a prumo; e tinha um prumo na mão. O Senhor me disse: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então, me disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo de Israel; e jamais passarei por ele

(Amós 7:7-9) (2).

[2]
É a contribuição da dimensão ética e espiritual ao equilíbrio dinâmico entre razão, emoção e adaptação; é o encontro, pois, de quatro forças: a serenidade do estoicismo, a adaptação hedónica às variações emocionais, o equilíbrio biológico da alostase e o alinhamento moral do prumo, pela rectidão, critério e juízo; assim como o prumo denuncia quando a parede se inclina também revela quando as nossas escolhas se afastam do eixo ético que sustenta a vida. O prumo é o critério invisível que mede a rectidão, o eixo moral que impede que o equilíbrio se torne complacência. Ele não pesa, não oscila — apenas aponta o centro, lembrando que toda harmonia precisa de um norte.

No contexto da balança, o prumo funciona como o critério vertical que impede que o equilíbrio seja apenas funcional ou emocional. Ele introduz a dimensão da integridade, lembrando que não basta equilibrar razão e emoção: é preciso alinhar-se a um eixo moral que transcende ambos.

O desafio, pois, não é eliminar o desejo nem sufocar a emoção, mas aprender a ajustar o fiel sem perder o alinhamento vertical. A serenidade nasce quando aceitamos que o equilíbrio é uma dança, não uma pausa — e que essa dança precisa de um eixo moral para não se transformar em desorientação.

Entre o movimento e a rectidão, o ser humano encontra o espaço onde pode viver com consciência, propósito e integridade.

Assim vivemos nós, Maçons, onde o ruido momentâneo do silêncio parece conter todas as forças do mundo. Entre o peso da razão e o sopro do desejo, algo invisível sustenta o eixo da existência — um fiel que não busca repouso, mas harmonia. É nesse espaço que se encontram o Estoicismo, a Adaptação Hedónica, a Alostase e o Prumo de Amós.

No silêncio onde a alma pesa o mundo, um fio de luz desce do alto como quem procura o centro esquecido. Entre o desejo que oscila e a razão que tenta se firmar, há um prumo invisível medindo o que somos e o que ainda podemos ser. E quando a balança da vida vacila, é essa luz vertical — fina, firme, eterna — que nos chama de volta ao eixo onde a consciência respira e a rectidão encontra repouso (2).

Walter Roque Teixeira – CIM 184.372 – ARBLS Palmeira da Paz nº 2121, Benfeitora da Ordem – GOB/SC – GOB

Notas

[1] AI – Artificial Intelligence” ou “IA = Inteligência Artificial” – como  há uma multiplicidade de interpretações do conceito de “Inteligência”, prefiro denominá-la: “AI = Accumulated and Accessible Information“, “Information Accumulées et Accessibles”, “Información Acumulada y Accesible” ou “IA = Informação Acumulada e Acessível”. No caso, usou-se o Copilot.

[2] Vide nota nº 1, pág. 1.

[3] Vide nota nº 1, pág. 1.

Referências

(1) Teixeira, Walter R. – O Cérebro e a Loja Maçónica, uma metáfora.

(2) Noções retiradas de resumos de pesquisas direccionadas em programas de IA [3] – no caso, Copilot.

(3) Delatour, Charles-Albert – Palingenesia e Maçonaria Simbolista: Meditação sobre o Momento Irreversível.

(5) Lavoisier, Antoine – https://www.ebiografia.com/antoine_lavoisier/.

(5) Bucco, João Cláudio – 2011-2012 – 17º Venerável Mestre da ARLS Palmeira da Paz nº 2121, Benfeitora da Ordem do Oriente de Blumenau – GOB/Santa Catarina.

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