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Confiscados por nazis, tesouros maçónicos são preservados na Polónia

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✍️ Desconhecido 📅 02/01/2025 👁️ 1 Leituras
Esquadro e compasso sobre livro são parte do tesouro maçónico confiscado por nazis na Polónia - Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP
Esquadro e compasso sobre livro são parte do tesouro maçónico confiscado por nazis na Polónia – Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP

Esquadros e compassos, gravuras, livros e álbuns antigos foram confiscados por oficiais alemães

A imponente colecção de objectos maçónicos de Poznan, na Polónia, preserva os seus tesouros, com os seus esquadros e compassos, gravuras, livros e álbuns antigos, alguns com o carimbo do sinistro Heinrich Himmler, considerado o número dois do Terceiro Reich.

Ao longo de mais de um quilómetro de estantes estão guardados cerca de 80 mil volumes, muitos deles bastante antigos, e outros mais recentes, conservados na biblioteca da Universidade UAM de Poznan, no oeste polaco.

A colecção constitui “um dos maiores catálogos maçónicos da Europa, ou, inclusive, o mais importante, segundo alguns”, disse à AFP a responsável pelo acervo, Iuliana Grazynska.

“E ainda conserva alguns mistérios”, enfatizou Grazynska, que acaba de iniciar o registo de 89 caixas de papelão com arquivos reunidos pelos serviços de Himmler e que nunca foram classificados.

Livro confiscado por nazis - Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP
Livro confiscado por nazis – Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP

Confiscados na Europa

“Os nazis detestavam a Maçonaria” explicou à AFP Andrzej Karpowicz, que durante 30 anos foi responsável pela colecção de Poznan.

Karpowicz lembra que o nazismo foi “fruto de uma onda anti-elite e anti-intelectual”, e por isso, inevitavelmente, eles eram “anti-maçons”.

Durante o Terceiro Reich, os nazis fecharam lojas maçónicas ou provocaram a sua dissolução, e confiscaram ou queimaram os acervos das suas bibliotecas.

Arquivos que fazem parte do material confiscado por nazis - Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP
Arquivos que fazem parte do material confiscado por nazis – Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP

Na medida em que o Exército alemão avançava, as colecções procedentes dos países conquistados enriqueciam as do Reichsführer-SS Heinrich Himmler, que incluía também arquivos relativos a judeus, jesuítas e bruxas, segundo Karpowicz.

Transportada para lugares mais protegidos dos bombardeios aliados, a colecção foi dividida em três partes principais, duas delas escondidas na Polónia, e a terceira na República Tcheca.

Em 1945, as autoridades polonesas apreendem uma parte em Slawa Slaska, no oeste do país, que tinha cerca de 150.000 volumes. O restante foi confiscado pelo Exército Vermelho da União Soviética.

Parte do tesouro confiscado por nazis - Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP
Parte do tesouro confiscado por nazis – Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP

Pérolas raras

A biblioteca de Poznan constituiu a sua colecção maçónica em 1959, em pleno período comunista, mesmo quando o movimento Maçom era proibido no país. A Polónia, no entanto, tinha uma velha tradição maçónica, e a sua primeira loja foi fundada em 1721.

Entre os maçons mais importantes do país estão o último rei, Stanislas Augusto Poniatowski, o primeiro presidente Gabriel Narutowicz e o famoso pianista Ignacy Paderewski.

A maior parte da biblioteca está constituída por obras do século XIX e início do XX, principalmente em alemão, entre elas todas as enciclopédias maçónicas neste idioma, desenhos, gravuras, menus de comida e também os registos quase completos dos membros de lojas e oficinas, num período que se estende até 1919.

Arquivo histórico maçónico da universidade de Poznan, na Polónia - Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP
Arquivo histórico maçónico da universidade de Poznan, na Polónia – Foto: JANEK SKARZYNSKI / AFP

Segundo Grazynska, a colecção também inclui uma “edição original e raríssima” da primeira constituição maçónica, escrita por James Anderson e publicada em 1723. “É o orgulho da nossa colecção”, acrescentou.

O acervo está aberto para quem o quiser estudar ou se aprofundar nele. “É uma mina de informações na qual é possível se aprofundar livremente”, assegura Karpowicz.

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