Como deve ser colocado o Volume das Sagradas Escrituras?
O Volume das Sagradas Escrituras [1] deve ser colocado de forma que possa ser lido pelo VM, ou voltado para o Oeste, para o Candidato?
“Algo parece estar de cabeça para baixo”?
Segundo o ínclito Irmão Harry Carr, em The Freemason at Work, revisado por Frederick Smyth, 1992, discorre que esta questão não surgiria na Irlanda, Escócia, EUA, ou nas muitas jurisdições que têm os seus Altares ou Pedestais distantes do MM, geralmente no meio da Loja. Nestes casos, o Volume das Sagradas Escrituras está sempre disposto de frente para o Candidato, ou seja, de forma que possa ser lido do Ocidente.
Na prática maçónica inglesa, entretanto, o Pedestal do Mestre é, na maioria dos casos, o Altar, de forma que quando um Candidato está assumindo a sua Obrigação, diante do seu Livro Sagrado da sua crença, ambos estão próximos o suficiente para serem capazes de lê-lo; daí a questão.
Segundo o Irmão Carr, na prática inglesa, não existe uma regra oficial sobre a direcção para a qual o VSE deva ser virado, e que não importa para que lado o VSE esteja voltado numa noite em que os irmãos estão ouvindo uma palestra, ou quando a loja esteja a conduzir outros trabalhos sem um Candidato. Mas numa noite em que um Candidato deva cumprir a sua obrigação litúrgica, compromisso ou SJ, a questão torna-se muito mais importante.
O Irmão Harry Carr assim explica, para aqueles que gostariam de ter um exemplo oficial como uma verificação, na sua própria prática, na nossa própria Grande Loja da Inglaterra, o Volume das Sagradas Escrituras é sempre aberto voltado para o Oeste, com as pontas do Compasso voltadas para o rodapé da página.
Foi sugerido que nos primeiros anos da Maçonaria Especulativa, sob a primeira Grande Loja, a Bíblia no Pedestal do Mestre seria disposta para si; estar diante de si, como “a fonte de luz e instrução”, e que os Antigos geralmente administravam a Obrigação no Ocidente, com a Bíblia (no caso para os cristãos), descansando entre as mãos do Candidato. Ambas as práticas certamente estavam em uso, mas há duas “Exposures”, (exposições), importantes e influentes que mostram que não havia uma distinção tão nítida, como em Três Batidas Distintas, 1760 e J. e B., de 1760.
Em Três Batidas Distintas, 1760, que pretendia descrever a prática dos Antigos, continha um diagrama mostrando que o Candidato cumpria a sua Obrigação de frente para o Mestre, mas estando apenas um passo à frente do VM, no Oeste, e a postura é descrita em detalhes excelentes. É praticamente certo que nesta postura, no Ocidente e longe do pedestal do Mestre, o VSE foi segurado pelo Candidato para que ele pudesse lê-lo.
Em J. e B., outra “exposure”, publicada pela primeira vez em 1762, reivindicando representar a prática Moderna, também neste ponto, os procedimentos rivais são idênticos, palavra por palavra, Antigos e Modernos.
Estes dois documentos eram exposições, não publicações oficiais e, apesar da sua aparente uniformidade, não pode haver dúvida de que outros formulários estavam em uso. A melhor evidência disso está na Primeira aula de Maçonaria de William Preston, que descreve as posições do corpo como nas Três Batidas Distintas.
Conforme o Irmão Carr, a Primeira Palestra de Preston é a única versão em que o Carr consegue rastrear que dá total aprovação a ambas as formas e mostra que ambas eram de uso geral e que não foi feito nenhum regulamento quanto à orientação do VSE, e não há um único documento oficial que uniformize e que forneça instruções sobre este ponto, de maneira universal.
Harry Carr conclui que as suas notas não têm a intenção de entrar em conflito com a prática estabelecida ou com qualquer trabalho específico que contenha uma decisão sobre o assunto. Infelizmente, a maior parte do nosso funcionamento maçónico moderno falha em fornecer tais orientações.
O Irmão Carr, finaliza no seu The Freemason at Work, no Capítulo 12 – Orientação da Bíblia e do Esquadro e Compasso que, seja qual for a direcção do VSE, da Bíblia, por exemplo, as pontas do Compasso devem estar sempre voltadas para o rodapé da página. Caso contrário, algo está visivelmente de cabeça para baixo.
Embora se saiba que, simbolicamente, a Luz do Sol parta do Oriente, o facto concreto é que, neste ponto em questão, não residem ou se tratem de “erros” ritualísticos sobre o direccionamento do Volume das Sagradas Escrituras, por ser ou não ser desta ou daquela forma; e da tomada desta ou daquela interpretação subjectiva/colectiva de uma Oficina, Obediência ou Rito em determinado tempo ou circunstância, mas que cada Rito ou Sistema de Trabalho Maçónico cumpra, com fidelidade, os seus Decretos, (Rituais), à Luz das Suas Filosofias, à Luz do Grande Arquitecto do Universo.
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Notas
[1] Nota de publicação: também designado como Volume da Lei Sagrada
Bibliografia
- Carr, Harry. The Freemason at Work. Revisado por Frederick Smyth, Lewis Masonic. 1992
