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Colocando a quantidade antes da qualidade: A Porta do Ocidente aberta

✍️ Desconhecido 📅 11/10/2021 👁️ 7 Leituras

quantidade, qualidade

A Porta do Ocidente é um termo com o qual muitos maçons podem não estar familiarizados. Eu nunca tinha ouvido falar dele até que comecei a pesquisar activamente e a colaborar online com outros maçons de várias jurisdições. No sentido físico, a Porta Ocidental é a porta pela qual os candidatos e Irmãos entram para receber os seus graus. Num sentido mais conceitual, a Porta do Ocidente é muito mais amplo em definição e abrange todo o processo de recebimento de petições, investigações e votação para aceitar e iniciar novos membros.

A última definição é, pelo menos na minha opinião, mais aplicável à frase “Guardando a Porta Oeste” e é o que este artigo vai tratar.

Qualidade vs. Quantidade

Quando a impressora passou a ser usada diariamente, os livros, que antes eram incomuns e valiosos, tornaram-se comuns e acessíveis para a maioria das pessoas. A Revolução Industrial teve praticamente o mesmo efeito, pois produziu itens que antes requeriam tempo e habilidade para serem produzidos baratos e facilmente acessíveis.

Este artigo não foi escrito para reclamar sobre o progresso. Em vez disso, em ambos os exemplos dados acima, a sociedade mudou de itens de qualidade que antes eram criados por artesãos para uma produção mais rápida, favorável à quantidade. Veja-se, não se pode ter qualidade e quantidade ao mesmo tempo. A qualidade torna um objecto ou uma experiência algo maravilhoso e a quantidade torna um objecto ou uma experiência algo mundano. Este argumento maravilhoso vs. mundano poderia aplicar-se a várias facetas da Maçonaria e provavelmente merece seu próprio artigo no futuro, mas, por agora, vamos aplicá-lo à Porta do Ocidente.

Cinco moedas de 20 cêntimos ou cem moedas de 1 cêntimo?

A noção da qualidade versus a quantidade aplica-se muito bem à Maçonaria, na minha opinião. Lembrem-se de que algo que é maravilhoso e / ou de alta qualidade deve, pela sua própria natureza, ser escasso. Este princípio também significa que, à medida que um produto se torna cada vez mais comum, a quantidade aumenta, e o produto torna-se cada vez mais mundano ao mesmo tempo.

Infelizmente, isto é o que está a acontecer na nossa Fraternidade. Em muitas Lojas, os padrões para quem eles estão dispostos a aceitar, caíram severamente e em algumas Lojas os padrões são mesmo inexistentes ou fora do mínimo que foi definido pelas suas Grandes Lojas (em algumas Grandes Lojas, até mesmo esses padrões mínimos são relativos).

Existe um ditado “Se não se defende algo, então está-se disponível para qualquer coisa”. Isto poderia ser adaptado para se dizer “Se uma Loja não tem padrões, então aceitará qualquer pessoa”, o que infelizmente é frequentemente o caso. Os requisitos estabelecidos por uma Grande Loja para os homens que apresentem petições não devem ser vistos como se fossem uma situação de aprovação ou reprovação, mas sim como critérios mínimos a serem considerados para a admissão.

Se se tiver a possibilidade de falar com um Maçom veterano, daqueles da velha guarda, perguntem-lhe como era entrar para a Fraternidade naquela época. Há várias décadas, era muito mais difícil tornar-se um Maçom. O meu próprio avô disse-me que quando ele aderiu na década de 50, a Loja a que ele fez a petição tinha uma política tácita de que todos os peticionários eram recusados na primeira vez que se candidatavam; a ideia era que se alguém realmente quisesse ser membro, voltaria a tentar novamente, mais tarde. Outros irmãos mais velhos disseram-me que precisaram de pedir a adesão três vezes antes mesmo de receber uma petição. Certas profissões, actividades e reputações podiam impedir a entrada sem questionar. Sim, eu sei, todos estes métodos parecem extremos e possivelmente até cruéis para nós, hoje; no entanto, eles criaram escassez que, por sua vez, tornou a adesão mais desejável e geralmente aumentou a qualidade dos membros.

Isto constitui um grande contraste com o processo de petições de muitas Lojas, nos dias de hoje. Na verdade, embora muitas Lojas estejam a permitir que todo o homem sem registo criminal adira à Maçonaria, a maioria das Grandes Lojas dos Estados Unidos está a perder membros mais rapidamente do que podem ser substituídos. Dito isto, quando era difícil obter a adesão, os homens faziam repetidas petições, numa época que muitos de nós hoje consideramos os Anos Dourados da Maçonaria.

Portanto, a questão é esta: preferimos ter cinco moedas de 20 cêntimos ou cem moedas de 1 cêntimo?? Será uma Loja pequena e íntima com um pequeno grupo de irmãos de qualidade, melhor do que uma Loja grande com apenas alguns irmãos activos e cem membros na lista que nunca aparecem e nunca se dedicam à Fraternidade?

Notas finais

Não sou um elitista e não quero ser considerado como tal. No entanto, sou a favor de fazer com que signifique algo ser Maçom novamente. Quando a adesão era menor, as pessoas sabiam que se era uma pessoa de qualidade por se ter filiado na Maçonaria, agora nem sempre é o caso. Na verdade, se formos honestos connosco mesmo, provavelmente podemos pensar em pelo menos um Maçom que não tem nada a ver com a Fraternidade.

O objectivo deste artigo é incentivar a reflexão sobre o processo de petição que as Lojas estão a praticar. Quais são os seus padrões? Quão completo é o seu processo de investigação? Quantas vezes se espera que um peticionário se venha encontrar e comer com os Irmãos antes de receber um convite? Quais são as taxas de adesão? Estamos realmente a aceitar apenas homens que são “matéria prima maçónica” ou todo e qualquer homem que peça para entrar e tenha dinheiro para pagar as jóias e quotas, pode se aceite?

Temos uma responsabilidade enorme como responsáveis pela nossa Fraternidade. Todo o homem indigno que desliza por uma Porta do Ocidente escancarada, tem o potencial de votar, assumir um cargo e até mesmo se vir a envolver ao nível da Grande Loja. Um só destes homens já é bastante tóxico; agora imaginem se forem centenas?

O futuro da Fraternidade está nas nossas mãos, Irmãos. Queremos que seja maravilhoso ou mundano?

Justin

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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