CERIMÔNIA DE INSTALAÇÃO INDISCRIMINADAMENTE NA MAÇONARIA BRASILEIRA
✍️ noreply@blogger.com (Pedro Juk)
📅 25/09/2017
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Em 02/07/2017 o Respeitável Irmão Fabrício Gentil da Silva, Loja
Caridade e Segredo, nº 3, Grande Loja Maçônica da Bahia, REAA, Oriente de
Cachoeira, Estado da Bahia, apresenta a seguinte questão:
CERIMÔNIA DE INSTALAÇÃO.
Bom dia Amado Irmão. Como falado anteriormente pelo Face book, peço a
vossa sabedoria, luzes na seguinte questão:
Quais
razões levaram os ritos maçônicos praticados no Brasil a se inspirarem (ou em
alguns casos, copiarem) a Cerimônia de Instalação do Rito de York?
Já vi coisas escabrosas, tais como um Grão-Mestre presidir, uma
Cerimônia de Instalação de um Venerável de uma Loja no Rito Schröder (Rito em
que esta cerimônia não existe!!!!!).
Sem falar na tal "instalação" de obreiros que atingiram tantos
anos de Maçonaria como "prêmio" sem nunca terem sido eleitos para
dirigir uma Loja!!
Finalmente, essa obsessão por instalação é uma prática brasileira na
Maçonaria?
Fico muito grato pelas respostas, sou um admirador do seu trabalho.
CONSIDERAÇÕES.
Eu já comentei muito sobre essa
contradição que assola a Maçonaria brasileira. Na verdade a inclusão da
cerimônia de instalação em ritos de vertente latina é, além de contraditória, também
um atentado contra os costumes e a liturgia, tal como a do Rito Escocês Antigo
e Aceito.
Cerimonial de instalação
é original apenas na vertente inglesa de Maçonaria, nunca na francesa.
Aqui no Brasil, por
exemplo, o Rito Escocês Antigo e Aceito (rito de origem francesa) sofreu essa
inserção indevida já nos meados do século XX dentro de uma Obediência que
procurava na época receber reconhecimento da Maçonaria Norte-americana.
Como no Brasil boa
parte dos maçons “acha bonito”, mas não sabe para que serve o “bonito”, o
hábito enxertado não tardou a contaminar irrestritamente toda a Maçonaria
brasileira, o que vem se seguindo indiscriminadamente até a atualidade.
Não é o caso de
entrar no mérito ritualístico e litúrgico da Instalação brasileira, até porque
ela, além de ser produto de enxertia, ainda adota rituais inadequados oriundos de
cópias mal feitas e até mesmo, em alguns casos, com grosseiras invenções que
contaminam inclusive o próprio ritual York praticado por aqui.
Instalação no
Grande Oriente do Brasil indiscriminadamente para todos os ritos surgiu a
partir do ano de 1968 por influência de Irmãos oriundos das Grandes Lojas
Estaduais brasileiras que já a praticavam. Na época o GOB adotou um ritual
elaborado e adaptado para os seus ritos, cujo qual já trazia no seu contexto
inúmeras práticas contraditórias que seriam introduzidas inclusive em ritos que
não possuem cerimonial de instalação na sua história, como foi o caso do REAA\.
Como a boca se
entorta conforme o hábito do cachimbo (para não dizer outra coisa), não
tardaria para que a Instalação se tornasse uma prática por aqui
consuetudinária, ao ponto de alguns nem sequer admitirem o início de uma
discussão acadêmica sobre o assunto. Então, o quê fazer? Penso que nada.
Infelizmente, além
de produto de enxertia, tem sido difícil esclarecer para boa parcela dos
Mestres Instalados brasileiros (já que Instalação acabou sendo real em todos os
ritos da Maçonaria Tupiniquim) que esse é apenas um título especial honorífico
conforme especifica - no caso do GOB - o Art. 42 do RGF, e não um grau maçônico.
Além disso, equivocadamente
tem sido comum muitos acharem que esse “título honorífico” lhes dá o direito de
interferir nos trabalhos da sua Loja e, em alguns casos, até de outras Lojas, o
que é mesmo lamentável.
Como bem se sabe,
não é só no Rito Schröder que Instalação não existe, mas em muitos outros ritos
que compõem a Maçonaria. Na verdade essa não é uma prática unânime.
É sabido também que
inadequadamente a atual conjuntura faz com que todos os ritos acabem se
sujeitando aos regulamentos da Obediência, o que faz com que, especificamente
nesse caso, exista uma flagrante interferência sobre a cultura, doutrina e
essência dos sistemas ritualísticos que compõem a Maçonaria brasileira.
Em síntese, a
contradição é justificada por aprovações ao gosto daqueles que simplesmente
“acham” sem antes avaliar adequadamente cada situação. Esses, porém nunca
saberão e nem estarão preocupados em explicar o porquê das coisas.
Além desse angu de
caroço, ainda existem os que acreditam que tempo de maçonaria está relacionado
com a Instalação. Lamentavelmente esses também não sabem que Instalação é ato
diretamente relacionado àquele que foi eleito para dirigir uma Loja ou, em
alguns casos, àquele eleito para dirigir a Obediência. Ora, tempo de Maçonaria
em hipótese alguma dá o direito à Instalação. Nada justifica um absurdo desses.
Carecemos
compreender que no Brasil somos filhos espirituais da Maçonaria francesa e que
na França, Instalação significa simplesmente a posse na cadeira principal da
Loja daquele que foi legalmente eleito para dirigi-la. Cumprido o seu tempo ele
será apenas o ex-Venerável. Na França desconhece-se o título de Mestre
Instalado.
É verdade,
entretanto que no Brasil também se pratica a vertente inglesa e, nesse caso,
indubitavelmente nela, mas apenas nela, é legítima a Instalação.
Assim, a cerimônia
de Instalação é prática oficial no Craft (inglês) onde o Mestre Instalado é o
Venerável e o ex-Venerável é o “Past Master”, ou aquele que já passou pela
Instalação. Por extensão um Past Master é um Mestre Instalado.
Muitos ainda
precisam compreender que o Rito Escocês Antigo e Aceito, apesar do título
“Escocês”, é um rito de origem francesa, portanto nele não existe originalmente
Instalação, ou pelo menos não deveria existir.
Penso que se todos
assim um dia compreendessem; essa “estória” de Mestre Instalado por aqui passaria
a ser contada de outra maneira. Mas por enquanto, mesmo que contraditório,
sejamos cumpridores dos nossos regulamentos.
T.F.A.
PEDRO JUK
SET/2017
