Caravelas e Naus – Um choque tecnológico no Século XVI
“Perdemos a capacidade para navegar um navio usando apenas uma ampulheta e guiando-nos pela posição do Sol e das estrelas. Perdemos a capacidade de ler o mar, tal como esses navegadores o faziam. ”
O Documentário tem seu início, relatando que no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, está guardado um dos mais incríveis tratados históricos do mundo, datado de 1494 – O Tratado de Tordesilhas, e perfaz uma retrospectiva de como os portugueses desenvolveram as caravelas e naus e descobriram novas terras no planeta Terra, contribuindo para a náutica, economia e dispersão de conhecimento e cultura de novos povos para o mundo. Essas contribuições não seriam possíveis se não fossem os conhecimentos técnicos de operários mestres carpinteiros de embarcações, com seus conhecimentos notáveis e discretos, transmitidos via oral e por tradição, assim como faziam os maçons operativos em suas corporações de ofício.
Seriam os operários carpinteiros de embarcações da Península Ibérica, com suas corporações de ofício como os pedreiros operativos medievos que deram origem às primeiras corporações de ofício precursoras da Maçonaria?
Preliminarmente, situemo-nos de modo sucinto sobre a época e sua realidade histórica global através do Tratado de Tordesilhas e as Grandes Navegações Marítimas:
Tratado de Tordesilhas
O nome Tordesilhas refere-se à cidade espanhola, do Reino de Castela e Leão, donde fora assinado o Tratado de nome Tratado de Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494. Dessa forma, ficou estabelecido uma linha de demarcação que dividia as terras portuguesas das espanholas: 370 léguas a oeste do Arquipélago de Cabo Verde na África, sendo que a parte oriental pertenceria a Portugal, e a ocidental, a Espanha. O Tratado de Tordesilhas foi ratificado pela Espanha dia 2 de Julho e por Portugal dia 5 de Setembro de 1494.
Signatários: João II de Portugal e Fernando II de Aragão.
Arquivo : Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Portugal) e Archivo General de Índias (Espanha).
Traços de relevância de conhecimento técnico e de discrição dos artífices de embarcações em seu ofício, nos séculos XV e XVI
Passagens eleitas por este articulista que chamaram atenção no documentário Caravelas e Naus – Um Choque Tecnológico no século XVI, no que se refere ao traço de relevância de conhecimento técnico e de discrição dos artífices de embarcações em seu ofício, nos séculos XV e XVI e os engrandecimentos financeiro, de conhecimento naval, geográfico e cultural:
- Minuto 1:20 – Portugal esteve na vanguarda das descobertas marítimas dos séculos XV e XVI e foi quem melhor soube criar e adaptar as melhores embarcações, juntamente com os conhecimentos de navegação.
- Minuto 2:38 – As embarcações feitas pelos portugueses correspondiam a uma tecnologia de ponta à época.
- Minuto 3:58 – Os navios dos descobrimentos são quase que totalmente desconhecidos. Sabe-se mais sobre as embarcações de 2.000 anos atrás dos que os navios dos séculos XV e XVI.
- Minuto 4:09 – Não há quase nada a explicar sobre os navios dos séculos XV e XVI. Os construtores não escreviam sobre como construíam estas embarcações.
- Minuto 4:28 – Nos estaleiros, as construções se baseavam na transmissão oral do conhecimento e nada escrito, sem qualquer tratado técnico escrito sobre construção naval, entre os anos de 1420 a 1570, em que se não tem nada sobre como eram feitas essas embarcações.
- Minuto 05:03 – As técnicas de construção naval eram guardadas com total discrição de documentação escrita em razão do sigilo profissional, numa “política de enorme confidência”.
- Minuto 06:35 – No estaleiro Vila do Conde, embora não se tenha certeza sobre as naus construídas no final do séc. XV, o Arquitecto Rogério d’Oliveira e o Instituto Superior Técnico de Lisboa, fabricam réplicas de embarcação da época: a caravela “Vera Cruz”, assim como também as caravelas “Boa Esperança” e Bartolomeu Dias”, baseando-se na iconografia de época, com auxílio de um modelo computacional, trechos de tratados de construção naval e modelos de carpintaria do final do século XVI e início do século XVII e nos vestígios arqueológicos de uma nau da Índia, encontrada na entrada do Rio Tejo.
- Minuto 07:34 – Embora tendo-se construído réplicas de caravelas quinhentistas, o historiador do Centro História Além-Mar – Universidade Nova de Lisboa, Rui Loureiro, adverte que seria muito difícil afirmar ou chegar a uma conclusão de que que tais réplicas eram exactamente como as reais caravelas dos séculos XV e XVI e que talvez fossem até mesmo mais complexas e avançadas do que o que se pensava.
- Minuto 09:20 – Constatam-se, com certeza absoluta, que não há a confiabilidade e segurança documental na construção fidedigna das caravelas dos descobrimentos quinhentistas portugueses. Todavia, no rio de Aveiro, foram encontrados vestígios arqueológicos de uma caravela de 1450, em que sua extremidade traseira era semelhante ao descrito no Livro I de Architectura Naval, de João Batista Lavanha, de 1608 e curiosas são as semelhanças com o descrito 150 anos depois e constando curiosas “marcas” ou “assinaturas” de seus mestres artífices nas peças de madeira, assim como faziam os artífices da marca, nos canteiros de obras em pedras, durante o período da maçonaria operativa (antes 1717), nas corporações de ofício.
Considerações conclusivas I
As grandes vantagens das caravelas quinhentistas portuguesas eram a leveza, as velas em posição oblíqua, proporcionando singrar os oceanos até mesmo contra a força dos ventos e a velocidade alcançada de 9 nós ou de 16,67 km/h. Eram as mais rápidas embarcações do século XV e XVI e podiam navegar por águas menos profundas e, portanto, eram mais versáteis.
Pode-se verificar o sigilo ou discrição na corporação de ofício dos construtores de caravelas e a transmissão oral de seus ensinamentos. Ou seja, traços de uma maçonaria operativa de construtores de caravelas nos séculos XV e XVI na Península Ibérica, notadamente em Portugal.
- Minuto 34:38 – Havia três embarcações portuguesas de domínio dos mares no século XVI: Nau – navio de carga; Galeão – navio com perfil de navio de guerra e Caravela Redonda (inovação portuguesa, com dois tipos de velas, as redondas e latinas) – caravela para guerra.
- Minuto 40:41 – “Perdemos a capacidade para navegar um navio usando apenas uma ampulheta e guiando-nos pela posição do Sol e das estrelas. Perdemos a capacidade de ler o mar, tal como esses navegadores o faziam. ”
Considerações conclusivas II
Notemos, Irmãos, que à época, no mundo, não havia construtores e navegadores de caravelas mais desenvolvidos que os da Península Ibérica. Infere-se que graças ao conhecimento e organização maçónicos operativos dos portugueses ou mesmo na Península Ibérica, foi possível conquistar e redescobrir-se o mundo da época.
Poderia ainda mais, pré-concluir, que graças à grande contribuição do conhecimento e trabalho das corporações de ofício; aos maçons operativos da Península Ibérica na construção e navegação de caravelas durante os séculos XV e XVI, os portugueses descobriram rotas e terras, como o caminho para as Índias e descoberta da Terra de Vera Cruz, (Brasil), exemplificativamente, com consequentes grandes enriquecimentos financeiros e culturais.
- Minuto 46:22 – “O homo sapiens existe na Terra há 100 mil anos. A nossa capacidade para navegar pelo mundo é só uma pequena fracção disso, apenas 500 anos. Portanto, as nossas mudanças foram notavelmente rápidas se tivermos em consideração a dimensão da história da humanidade. Se a Terra existisse há 24 horas, o homem teria chegado a menos de 2 segundos e teria descoberto o planeta em que habita há apenas 7 milésimos de segundo. Para isso, muito contribuíram as caravelas e naus portuguesas.” … graças à grande colaboração dos artífices carpinteiros de embarcações, sob o modelo de corporações de ofício de construtores, ou maçonaria operativa de carpintaria naval.
“Caravelas e Naus – Um Choque Tecnológico nos séculos XV e XVI” ficou em 1º lugar entre 62 documentários num concurso do Discovery Channel, tendo sido emitido em vários continentes.
Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI
Ficha técnica do vídeo
- Duração do vídeo: 47:50
- Ano: 2017
- Realização: António José de Almeida
- Roteiro: Anabela Almeida
- Coordenação Geral Panavídeo: Telma Teixeira da Silva
- Edição: Miguel Lopes
- Direcção de Fotografia: Jorge Afonso
- Produção: PANAVÍDEO Portugal em associação com TV Cabo.
- Pós-produção de Áudio: Samuel Rebelo
- Animação 3D: Ricardo Guerra
- Direcção de Produção: Rita Gaspar
- Produção: Maria Alves e Maria José Dias
- Pesquisa: Cátia Aldeagas, Cristina Freire, Isabel Moreira, Luísa Pinheiro, Maria Alves, Mónica Mendes e Sandra Leitão.
- Direcção de Arte: Paulo Braga
- Locução: Paulo Rocha
- Música: “Batalha”, “Variação para Guitarra, N° 1”, “Despedida”
- Composição e Interpretação: João Pio Pedreira e João Carlos Braga
Foram partícipes neste Documentário
- Historiador da “La Trobe University Melbourne”: Antony Disney
- Engenheiro Naval do “Instituto Superior Técnico de Lisboa”: Nuno Fonseca
- Historiador da “University of British Columbia”: Richard Unger
- Historiador da “Faculdade de Letras de Lisboa”: Francisco Contente Domingues
- Pesquisador do “Instituto de Investigação Científica Tropical”: Inácio Guerreiro
- Historiador da “University Massachusetts Dartmouth”: Thimoty Walker
- Pesquisador de Descobrimentos Portugueses: Joaquim Ferreira do Amaral
- Historiador: José Manuel Garcia
- Arquitecto Naval: Almirante Rogério d’Oliveira
- Historiador do “Centro História Além-Mar” – Universidade Nova de Lisboa: Rui Loureiro
- Director do “Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática”: Francisco Alves
- Historiador da “Dheli School of Economics” – University of Dhelhi: Om Prakash
- “Kanto Gakuin University”: Gengiro Yto – Japão.
- Pesquisadora da “Historiographical Institute” – University of Tokio: Mihoko Oka
- Presidente da “Malacca Portuguese Eurasian Association”: Michael Banerji
- Director do “Centro de História Além-Mar” – Universidade Nova de Lisboa: João Paulo Oliveira e Costa
- Comandante “Academia de Marinha”: José Malhão Pereira
- Director do “Museu Militar de Lisboa”: Manuel Ribeiro de Faria
- Historiadora do “Centro de História Além-Mar” – Universidade Nova de Lisboa: Alexandra Pelúcia
- Historiador e Director da “Biblioteca Nacional” de Portugal: Jorge Couto
- Pesquisadora do CHAM/Fundação Oriente: Carla Alferes Pinto
Fontes consultadas
- https://www.youtube.com/watch?v=7xUEZt0_osc&feature=youtu.be
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Caravela
- https://www.revistamilitar.pt/artigo/667
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Gale%C3%A3o
