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As colunas do templo dão-nos lições de vida

✍️ Desconhecido 📅 06/07/2021 👁️ 7 Leituras

colunas

Queremos nesta reflexão, trazer à tona, a experiência e o exemplo de vida de dois homens que viveram no período de aproximadamente (c. 1000 a.C.), ou no século que se seguiu o exílio babilónico (c. 450 a. C.). O primeiro, foi um rico dono de terras na cidade de Belém; homem de fé, sábio, justo, piedoso, valente e poderoso. Estamos falando de Booz.

Bíblia, livro Rute Capítulo 2:1 “Tinha Noemi um parente do seu marido, senhor de muitos bens… homem valente e poderoso… O qual se chamava Booz”.

A história da sua vida esta na bíblia, registada no livro Rute. O livro é histórico, composto em prosa narrativa, que descreve a situação do povo pobre que estava vivendo sob o jugo do império Persa. No seu primeiro capítulo, o livro começa dizendo que “nos tempos em que julgava os Juízes…” (Rt 1:1) ouve um período de muita fome, e neste contexto, conta a história de uma família da qual fazia parte o nosso personagem.

Foi escrito no pós-exílio babilónico e retrata a situação do pobre que era marginalizado, excluído, sofredor… Neste sentido, quando se reporta à época dos Juízes, quer-se principalmente, fazer memória do projecto igualitário, onde todos tinham acesso à terra, ao pão, e à vivência da fraternidade que permitia às pessoas de serem felizes com as suas famílias (Josué 24:13 e Dt 6:10 -13).

Belém, cidade de Booz, significa “casa de pão”, mas a realidade era o oposto do nome. Se não havia pão, deveria ter algum motivo para isso. Aí se reflectem as causas que geram a fome do povo, ou seja, a estrutura injusta da época que não permitia que o povo tivesse o necessário para sobreviver. Algo muito parecido aos dias em que vivemos.

Booz fazia cumprir fielmente a lei dos Juízes de Israel, onde havia uma provisão legal dando aos pobres o direito de ir aos campos no momento da colheita e recolherem o necessário para passarem o dia. Esta provisão, obviamente, obrigava aos donos de lavouras a deixarem no campo, alguma coisa de resto, que eles chamavam de “rebusco” para que os pobres pudessem ali, colher o suficiente sustento diário das suas famílias.

Era costume de Booz, como homem bom, justo e solidário, instruir aos seus empregados a deixarem no campo, bem mais que a provisão da lei “para os pobres”.

Bíblia, Rute, Capítulo 4:13 e 17: “Assim tomou Booz a Rute, e ela passou a ser sua mulher; coabitou com ela, e o Senhor lhe concedeu que concebesse, e teve um filho. 17… e lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jaquim, pai de David”.

O segundo nome em destaque foi um homem de vida simples, agricultor e pastor de ovelhas. Foi também um homem bom, solidário e piedoso, pai de família exemplar. Homem Ungido por Deus (através do profeta Samuel) em razão do seu extraordinário carácter. A sua história esta registada na Bíblia, em (I Sm. 16:3 – 5). Estamos falando de Jaquim, o belemita, pai de David e avô de Salomão.

A Bíblia, em I Crónicas 2:12 e 15 ‘c’ diz: “E Booz gerou a Obede, e Obede gerou a Jaquim… e jaquim gerou… David, o sétimo”.

Pois bem, quero salientar que nos chama atenção na vida desses dois homens, as suas acções em favor dos seus semelhantes, em favor dos mais humildes e menos favorecidos; a disponibilidade, a prontidão, a voluntariedade, a vontade de fazer e de ver acontecer. No primeiro caso, Booz, já fazia a diferença ao cumprimentar os seus serviçais. Na Bíblia, em Rute 2:4 diz: “Eis que Booz veio de Belém e disse aos seus segadores: O Senhor seja convosco! Responderam eles: O Senhor te abençoe!”.

Percebem o tratamento!? É fantástico! Um homem rico, senhor de muitos bens, poderoso, e que trata com justa igualdade, com humanidade fraterna, refinado respeito e carinho aos seus serviçais. “O termo Senhor de muitos bens” em hebraico, designa, normalmente, um guerreiro notável, (como David o foi), mas aqui significa uma pessoa poderosa (que detém a força e o poder), e muito bem conceituado na sociedade da sua época, Booz era reconhecido também como o resgatador “aquele que regata, que traz de volta”. Era um homem que estava sempre pronto a servir, contribuir e agir em favor dos mais fracos.

No segundo caso, Jaquim, diferente do seu avô Booz, foi um homem de poucas posses, porém, sempre preocupado com o bem-estar da sua família, do seu país, dos seus amigos e dos menos favorecidos. A Bíblia, em I Samuel, 17:17-18 fundamenta bem o que estamos dizendo.

Jaquim, mesmo já tendo todos os seus valentes filhos nas frentes de batalha, em guerra contra os filisteus, não encontrou nenhum empecilho para enviar o seu filho mais novo (David) ao rei Saul, quando este o solicitou. Ficou sem o seu valente Pastor de ovelhas, para enviar e consolar a tristeza do rei, o melhor músico (tocador de harpa), que se tinha notícia. A Bíblia, em I Samuel 16:17-21, fundamenta bem isso. David certamente seguia o bom exemplo do seu avô Booz. Logo, podemos deduzir que não foi sem razão e motivos, que o Sábio Salomão, ao construir o templo, não titubeou em homenagear ao seu avô e tataravô nas duas colunas que mandou erguer para ornamentar e embelezar a entrada do templo.

Na Bíblia, em I Reis 7:15 e 21 diz: 15 – “E formou duas colunas de cobre… 21 – Depois, levantou as colunas no pórtico do templo; tendo levantado a coluna direita, pôs-lhe o nome de Jaquim; e, tendo levantado a coluna esquerda, pôs-lhe o nome de Booz. Em II Crónicas 3:15, também esta registada a homenagem”.

A lição de vida que podemos aprender com os nossos personagens e Irmãos do passado é, exactamente através do que eles tinham em comum. Não obstante um ser muito rico e poderoso, e o outro ser de classe média, visto ser apenas um pequeno agropecuarista criador de ovelhas, o que faziam deles iguais eram o carácter, a dignidade, a solidariedade, a voluntariedade, a prontidão, à vontade e o querer, levado à acção de ver acontecer, de fazer a diferença no mundo da sua época, tão injusto e carente. Qualidades necessárias e imprescindíveis na vida de um Maçom.

O Sábio Salomão com a justa homenagem prestada aos seus digníssimos parentes nas colunas do templo dá-nos a dica necessária de aprendizagem, quando conseguimos discernir e entender que através dos homenageados, as colunas simbolizam entre outras coisas, a quebra da barreira social, cultural e racial, objectivando o agrupamento de indivíduos das diferentes classes, raças e culturas da sociedade local e global; na busca do entendimento, da razão de viver, da amizade, da paz, da liberdade, fraternidade e solidariedade entre os povos.

Assim, meus Irmãos, o sábio rei Salomão através dessas colunas, está a dizer-nos que, ao entrarmos nos nossos templos (neste augusto templo), devemos pensar como Jaquim e Booz. Ou seja, ao passarmos por entre colunas, deve ficar para trás as nossas diferenças sociais e culturais, os nossos títulos e as nossas vaidades, tornando-nos a partir delas, todos iguais, verdadeiros irmãos, cuidadosos e zelosos uns pelos outros; como que, um por todos e todos por um.

Quero pensar que entre outras simbologias que as nossas colunas possam ter, este ensinamento é verdadeiro, e deve ser uma realidade constante nas nossas vidas.

O sábio rei indica-nos ainda, que é no templo, entre colunas o lugar apropriado para desbastar e polir a nossa pedra bruta, onde aprendemos a filosofia de vida dos nossos antepassados, e os ensinamentos dos mestres do nosso tempo, onde inteiramos uns com os outros, na busca do pleno conhecimento filosófico da nossa ordem, visualizando como Jacób, o topo da escada estendida a cada um de nós, rumo à plenitude final da nossa caminhada.

E por fim, o sábio Salomão indica-nos pelo exemplo de vida e cidadania deixadas pelos seus parentes homenageados, que é lá fora, no mundo profano, entre os poderes constituídos, na política, nas organizações, nos negócios, no nosso lar, na criação e no tratamento dos nossos filhos e das nossas esposas, e, principalmente entre os mais humildes, os pobres e miseráveis, os excluídos e desassistidos, que nós precisamos mostrar quem somos, porque somos e a quem servimos. É lá, que precisamos ser o “sal da terra e a luz do mundo” é lá que os bons exemplos deixados por Jaquim e Booz, e outros bons maçons que já foram e os que ainda vivem, precisam ser seguidos. Sem nenhuma pretensão de sermos diferentes, mas com objectivos bem definidos, traduzidos em acção a nossa aprendizagem e convivência, para fazermos a diferença, neste mundo tão injusto, tão desigual e que precisa muito de cada um de nós.

“Devemos tratar com desigualdade os desiguais, na medida em que eles se desigualam”

(Rui Barbosa)

Que o Deus Eterno, criador do Céu e da Terra, Grande Arquitecto do Universo nos abençoe a todos.

Adalvo Ribeiro de Araújo

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