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As colunas

✍️ Desconhecido 📅 08/07/2022 👁️ 13 Leituras

colunas

Verdadeiras Arquitecturas e Obras de Salomão e Hiram-Abiff!

Estas colunas todas as vezes que mencionadas evocam a imagem do Templo do GADU, por tradição chamado Templo de Salomão. Neste ensaio, pretendo demonstrar esta obra específica de Salomão e Hiram-Abiff, as suas origens, localizações, tamanhos, finalidades e o mais difícil, os seus nomes e significados.

Origens

Eram comuns à época estas colunas e obeliscos, serem erigidos para se “louvar” os deuses e destes angariar favores e, havia também, uma tradição disseminada dos governantes marcarem as suas histórias e realizações pessoais com obeliscos ou colunetas, antes e durante ao advento de registos escritos ou figurativos e para isto usaram destas colunas e obeliscos.

Como exemplos, mais conhecidos, os diversos obeliscos egípcios, quase todos monolíticos e inúmeros outros. Estes pilares foram comuns na Síria, Fenícia e Chipre naqueles tempos. Houve também, imensos pilares, alguns de fogo ou incensa, que eram parecidos com a sua contra-partida fenícia e teriam a finalidade de iluminar a fachada do templo à noite, ainda também, pegando o primeiro amanhecer ou anoitecer, reflectir a fachada do templo, e produziam uma nuvem de fumaça escura durante o dia.

Também foram descobertas as fundações de pilares semelhantes nos locais dos templos em Hazor e condado Ta’Yinat que tinham duas colunas nas suas entradas, semelhantes a que seriam construídas no templo. Herodotus (484 – 425 a.C.), historiador grego, também conhecido como “Pai da História”, descreveu dois grandes pilares próximos ao Templo de Hercules em Pneu, que eram iluminadores da noite.

Porquê da sua origem no templo hebreu

Cabe como prólogo desta questão, perguntar-se, porque a falta de menção das colunas nas narrações ao advento da construção do Templo? Não será por meros erros ou por omissões dos copistas ou escribas, em que não há por nenhum momento a menção destas colunas quando das definições da arquitectura e obras do Templo. Vide todas as descrições existentes em REIS ou CRONICAS (I REIS, cap.6, versc. 1~38 – II CRONICAS, cap. 3, versc. 1~14).

Ver-se-á na ocasião, quando o Rei David dispôs ao seu filho Salomão a planta do Templo recebida do G∴ A∴ D∴ U∴ narrações tão peculiares e ostensivamente pormenorizadas de coisas e detalhes, não havendo, entretanto, por menor que fosse, qualquer menção destas colunas. Vide I Crónicas, cap.28, versículos: 11~21; cap.29, versículos 1~9. Somente terminadas as obras do Templo (I REIS: 7: 37 e 38), começam a aparecer menções a estas famosas colunas. Vide I REIS, cap. 7, versículos 15~22.

Porque mandara Salomão fazer estas colunas?

Porque elas não fizeram parte do Templo quando da sua arquitectura primordial?

Porque nos esboços e nas obras do Templo elas não foram jamais mencionadas?

Para que serviriam?

Foram para demarcar a obra e a sua posteridade?

Para responder a estas questões faz-se necessário demonstrar o carácter ambíguo dos arquitectos e construtores destas obras.

  • Vivera o povo Hebreu sobre o jugo dos egípcios por mais de cinco séculos antes do êxodo. É obvio deduzir-se que esta convivência poderia e teria incorporado hábitos e coisas daqueles povos ao Povo Hebreu e suas descendências.
  • Era o arquitecto Hiram-Abiff (judeu por parte de pai), filho de Tiro, cidade Fenícia, familiarizado com o estilo de construções Egípcias e Fenícias, em pedra talhada e com a arquitectura megalítica dos antigos.
  • Eram os Templos de Carnaque e Luxor, há época, precedidos de obeliscos, como tantos outros e notórios.
  • Tantos os executores, como os arquitectos, que eram de Tiro, indubitavelmente, teriam tido uma grande influência no projecto dos pilares para o templo em Jerusalém.
  • Estas obras (as colunas) jamais teriam carácter de quaisquer tipos de adorações (totalmente proibido pelo Talmude e o Torá) ou messiânicas. Portanto não eram para ser sagradas. Não fariam parte do Templo, como não fizeram na sua arquitectura primordial.

Dado a ambiguidade, ao se erigir estas colunas demarcou-se o momento pessoal dos arquitectos e executores destas obras e os seus nomes para posteridade, e disto não tenho a menor dúvida. Julgo, também, pela síntese da pesquisa especulativa e dedutiva serem estas colunas um marco, os obeliscos que encerram em si o desejo de marcar uma obra. Um monumento comemorativo. Inicial e tão somente.

Localizações

Em diversos autores e livros muito se tem especulado sobre a posição destas colunas; à direita ou esquerda estaria Jaquim; à direita ou esquerda estaria Booz.

Uns dizem, sendo o Templo construído no sentido da sua porta de entrada estar para Leste (o sol), Jaquim estaria à esquerda, isto por óbvio, de quem estiver dentro do Templo olhando para fora. Estando fora do Templo estaria à direita e há assertivas de ser esta a sua verdadeira posição o que se demonstra a seguir. De antemão, não há quaisquer dúvidas que elas foram postas à frente do Templo.

Para determinar estas colocações tomaremos por base duas dissertações que nos parecem por demais definitivas, ou sejam, em Crónicas e REIS.

II Crónicas, cap. 4, versículo:

17- “E pôs estas colunas no vestíbulo do Templo, uma à direita e outra à esquerda: a que estaria à direita, chamou-a Jaquim e a que estava à esquerda, chamou-a Booz“. (Grifo meus).

I REIS, cap. 7, versículo:

21- “E pôs estas duas colunas no pórtico do Templo, e tendo levantado a coluna direita, chamou-a por nome Jaquim. Levantou do mesmo modo a segunda coluna, e chamou-a por nome Booz“. (Grifo meus).

Este último relato, ipsis litteris, põe quaisquer discussões de se estar dentro ou fora para se determinar às posições das colunas fora de contexto. Pode alguém duvidar agora de que este “acto de levantar” que se fez diante de um Templo terminado (e o seu pórtico externo – vestíbulo), de que os termos “direita” e “esquerda” só podem ser considerados desse ponto de vista? De quem olha este levantamento.

Aclara e corrobora em Antiguidades Judaicas, de Flavius Josepho, nascido em Jerusalém em 37 d.C. e falecido em Roma 100 d.C., a seguinte descrição: “Ele colocou (Hiram-Abiff) uma dessas colunas junto à ala direita do vestíbulo, e chamou-a de Yachïn, e a outra à esquerda, sob o nome de Baïz“. (Grifo meus).

O termo vestíbulo em qualquer idioma é entendido, comumente, como espaço entre a rua e a entrada dum edifício. Quando se quer determinar uma área ou um espaço que seja interno é usual determiná-lo como “vestíbulo interno”. Por outro lado, por excelência, e confirmada em diversas narrações na Bíblia, é que os Povos na antiguidade determinavam os pontos cardeais dos nossos dias olhando para o SOL, o seu ponto de referência primordial. Para se determinar o ponto Leste do Templo teria que se estar à frente do Templo olhando para o Sol.

O Sol pelo seu simbolismo ou analogias físicas representava o nascer, o clarear do dia, da jornada. Diversos foram os Povos em que as suas seitas tomaram o Sol como a sua principal divindade. O ocidental, e acentuadamente após a criação da bússola magnética, passou a se orientar pondo o Norte à sua frente, por uma questão lógica e física, para determinar a orientação pelo pólo magnético Norte daquela (à bússola). Estas digressões são para afirmar o quanto se dava de valor aos astros para as suas orientações e divindades.

Tamanhos

As duas colunas sobre as quais estamos argumentando foram alvo de várias polémicas quanto à sua altura, principalmente por dúvidas causadas pelas diferenças apresentadas pelos cronistas de REIS que a apresentam com 18 côvados de altura enquanto os cronistas de CRÓNICAS apresentam a altura de 35 côvados. Podemos pela própria leitura dos textos se fazer alguma análise:

É dito em I REIS, cap.7, versículo:

15 – “E fundiu duas colunas de bronze: cada uma delas era de dezoito côvados de altura: e a ambas colunas dava voltas uma linha de doze côvados “.

É dito em II REIS, na tomada e destruição de Jerusalém, cap. 25, versículo:

17 – “Cada coluna tinha dezoito côvados de altura“…,

É dito em Jeremias, na tomada e destruição de Jerusalém, cap. 52, versículo:

21 – “E quanto às colunas, cada uma delas tinha dezoito côvados de alto e a cercava um cordão de doze côvados. Ora a sua grossura era de quatro dedos, e era oca por dentro“.

Quanto a II de Crónicas está descrito em cap. 3, versículo:

15 – “E fez diante da porta do Templo duas colunas que tinham trinta e cinco côvados de altura“:

É evidente que na descrição do cronista de Crónicas, ela é sucinta e não descreve se se tratava de valor para cada coluna ou o total de ambas. Se por elipse gramatical tomarmos o trecho: “que tinham 35 côvados de altura”, poder-se-iam considerar o que somavam de ambas.

Pelas três primeiras assertivas, caprichosamente bem descritas, somos levados a tomar como correctas estas alturas. Outrossim, diante da premissa que o templo media sessenta côvados de comprimento, vinte côvados de largura e trinta côvados de altura (REIS 6: 2), tais colunas não deveriam ser maiores que a altura do templo; portanto, não teriam 35 côvados.

Arquiteturalmente, a proporção de quase ⅔ da altura do prédio, isto é, dezoito côvados, estaria mais condizente e não empanariam o Templo, principal obra. Pelas definições de Jeremias capítulo 52, versículo 21, pode-se afirmar terem estas colunas em medidas actuais (em metros) 9,45 metros de altura; 6,30 metros de circunferência e quatro dedos de espessura que equivaleria a 0,87 mm, e eram ocas. Elas pesavam mais de uma tonelada. Se considerarmos o capitel, a sua altura passaria a ser de 12,07 metros de altura. Nabuzeradã (o caldeu) as levou para a Babilónia, em pedaços, na destruição do templo.

Os nomes

Não será simples dissertá-los, caso venhamos a conferir a estas colunas algum carácter meramente filosófico ou religioso. Tentarei a seguir, baseado nas análises de escritos em REIS e CRÓNICAS, tecer alguns comentários e entendimentos sobre os nomes destas colunas. Não há e não houve, por outro lado, o poder sacerdotal na concepção destas colunas. Se houve, é estranha a falta de quaisquer registos, uma vez que todos governantes temiam o mundo sacerdotal e dos profetas e eram factos de registos. Quantos Profetas e Sacerdotes não foram perseguidos e sacrificados?

Para isto, por força de não encontrar quaisquer indícios de fundo religioso para estas colunas, baseado na estrutura sócio-religiosa do povo Hebreu à época, em que não se permitia erigir sobre qualquer forma, fossem em madeira, pedra, barro, couro, etc., imagens, retratos ou totens que representassem a figura humana, principalmente, ou viessem a representar endeusamentos, pois eram severíssimas as punições pelos Rabinos e Profetas, descarto a possibilidade religiosa.

Cristo foi crucificado, só por conceber em metáforas e parábolas a sua condição de ser filho de Deus, o Messias esperado, a quem os Judeus aguardam até aos dias actuais. O caminho que me parece mais simples é o do SIMBOLISMO (do marco). Mesmo no aspecto FILOSÓFICO esbarraríamos na falta de registos de vários porquês, sobretudo os interesses pessoais e atitudes pessoais para a concepção destas colunas. Posto isto, iremos começar pelos registos em I de Crónicas, capítulo 22, versículo:

10 – “Ele edificará uma casa ao meu nome, e ele será meu filho, e eu serei seu pai: e eu firmarei o trono do seu reino sobre Israel eternamente“. (Grifo meus).

E em I de Crónicas, capítulo 28, versículo:

7 – “E firmarei para sempre o seu reino, se perseverar em cumprir os meus preceitos, e os meus juízos, como Ele o faz presente“.

Acima vemos os relatos de David, quando ordenou a Salomão a construção do Templo de Deus. As frases em grifos foram como David relatou ao seu filho Salomão a “conversa” tida com Deus. Vejam que neste momento, nestas orações, estão postos, a afirmação “firmarei” [o trono do seu reino] e [para sempre o seu reino], isto é, firmar assegurar o pacto com DEUS.

מ י ך י (Jakin) – Ele firmará. Ele estabelecerá. ז ב (Boaz) – Em Força. Na força.

Qualquer similitude ou similaridade com a tradução da palavra Jakin ou Boaz, acima representado também em Hebraico, não é mera concepção para coincidências com o relatado por David a Salomão. Temo, chegando quase à assertiva, pelo contexto dos registos, serem estas colunas o conteúdo do simbolismo da acção de ser Salomão o nomeado eleito de Deus, quanto ao registo deste ter sido o escolhido e também edificador do Templo. Elucubremos os termos: Ele firmará e em força. Poder-se-ia construir as seguintes frases com simbolismos diferentes. Exemplo:

Firmado (estabelecido) meu Reino no Real Poder.

Deus assegurou na força (realeza), solidamente, o Templo e a Religião de que ele é o centro.

Quaisquer das duas frases carregam em si o estabelecimento de um ocorrido, do qual todos esperavam, a edificação do Templo de Deus e o “coroamento” do Reinado de Salomão, disto, já se teriam passado longos sete anos na construção do Templo. Para os tempos de hoje estes marcos seria uma inauguração. Ressalte-se conforme registos, ter havido comemorações que levaram dezenas de dias, tanto quanto neste dia, no acto feito por Salomão da bênção do TEMPLO, ele, o próprio Salomão, foi novamente ungido (rogativa) ao pé da coluna, provavelmente Jakin (pois assim se passou a proceder com todos os outros REIS: II Reis 11: 14 e II Crónicas 23: 13), vejamos em:

II de Crónicas, capítulo 6, versículos:

13 – “Porque Salomão tinha feito uma base de bronze de cinco côvados de comprido, e outros tantos de largo, e três de alto, que tinha colocado no meio do átrio: pôs-se de pé sobre ela: e depois posto de joelhos com o rosto virado para a multidão de Israel, e as mãos levantadas para os céus disse“:…

I de REIS capítulo 8, versículo:

54 – “Sucedeu, pois, que tendo Salomão acabado de fazer oração, e esta rogativa, se levantou de diante do altar do Senhor: porque ele tinha postos os joelhos em terra, e tinha as mãos estendidas para o céu“.

55 – “Pôs-se logo em pé, e abençoou a todo ajuntamento de Israel, dizendo em voz alta“:…

Novamente, por elipse gramatical, tomemos o termo: “posto de joelho”, em Crónicas e rogativa (ungição) em I REIS. Posto de joelhos, entender-se-ia que ao mesmo se solicitou pôr-se de joelho e rogativa é uma acção de bênçãos sacerdotais. Ao ser ungido, tradicionalmente, se colocava o ente a ser sagrado frente ao altar para receber as bênçãos sacerdotais. Fazia-se por outro lado a rogativa aos sacerdotes por venturas do reinado, ocasião em que se imolavam as “vítimas” nos altares.

E assim se fez, a publico, para conhecimento de todo povo de Israel e ao lado da coluna Jaquim.

Para finalizar, ao término das dissertações sobre as Origens ou as possíveis Origens para as colunas, concluo com a assertiva de que estas colunas foram para firmar a construção do Templo e tornar para posteridade a afirmação do eleito de Deus.

Fernando Guilherme Neves Gueiros, M∴ M∴

Bibliografia

  • Bíblia Católica – Edição Barsa – Trad. Pe. Antonio Pereira de Figueiredo.
  • Bíblia Evangélica – Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida.
  • Ritual do Simbolismo – 1º~3º Grau Segunda Edição 1987 – GLESP.
  • Rituais Filosóficos – Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maç∴ para a Rep∴ Fed∴ do Brasil.
  • A Simbólica Maçonaria – Jules Boucher – Editora Pensamento – 1988.
  • Dicionário Ilustrado de Maçonaria – Sebastião Dodel dos Santos – Editora Essinger – 1984.
  • O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçónica – Alex Horne (Grau 33) – Editora Pensamento – 1989.
  • A Cabala Tradição Secreta do Ocidente – Papus – Editora do Brasil – 1986.

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