A Partir Pedra

✍️ noreply@blogger.com (J.Paiva Setúbal) 📅 21/08/2026 👁️ 0 Leituras

 

HUMANIDADE 3 - RESPOSTAS

Não é novidade ! Tenho insistido no objetivo do “ser Maçon” e “ser Maçon” significa a aceitação diária, permanente de “polir a pedra”, entenda-se melhorar o Homem, ajudar a Humanidade a ser “Justa e Perfeita”. É este o entendimento do “ser Maçon”, conforme aceite sob juramento é sua obrigação ajudar os outros homens a serem mais Livres, ajudar a sociedade humana a ser mais Fraterna, compreender e fazer compreender que os Homens são todos iguais na sua característica única que é o de serem humanos. É esta a coluna vertebral deste corpo maçónico. O objetivo, sobreposto a quaisquer outros interesses, é ajudar a fazer a Humanidade mais Livre, mais fraterna, mais Igual. É este o trabalho do Maçon.

E este trabalho tem sido feito ?

De facto a Maçonaria tem lutado e os Maçons têm distribuído Liberdade, Fraternidade, Igualdade pelos seus pares ? Basta ouvir e/ou ler as notícias diárias e jornais e/ou noticiários televisivos para constatarmos que o percurso para o objetivo anunciado tem sido percorrido em marcha atrás. Pelo menos aparentemente estamos cada dia mais afastados daquela finalidade.

Significa isto que a Maçonaria falhou ?

As guerras, e são várias pelo mundo, vão continuando a dizimar milhões de vidas inocentes, de homens mulheres crianças, novos e velhos, sem escolha e sem piedade.

- A vida do homem comum está dia a dia mais preza à necessidade de sobreviver com dignidade o que implica viver numa casa digna desse nome, em condições de higiene e de alimentação suficientes, para si e para o agregado familiar para o qual é fundamental a manutenção da saúde e do desenvolvimento escolar, com a Paz espiritual que só a Liberdade lhe pode trazer.

- Como se conjuga a existência lado a lado de miséria absoluta dos “sem casa” com a opulência desmedida dos que acumulam milhões, muitos milhões, vivendo no excesso absoluto do desperdício diário de bens que outros lutam a vida inteira para conseguir. Como conjugar a miséria conhecida em muitas zonas de África, Ásia e América do Sul com a opulência de muitas outras zonas da América e da Europa ? Como conjugar estes contrastes com o espírito de Fraternidade e Igualdade anunciado ?

Trouxe nestas últimas intervenções que aqui tenho feito com título genérico de “Humanidade”, vários aspetos do que é o dia a dia conhecido da nossa vida comum em sociedade. São temas que encontramos bastamente discutidos, analisados, comentados nas televisões, rádios e jornais.

É a Vida dos Homens que me preocupa e é sobre ela e as suas condições que entendo o trabalho maçónico. Homens e Mulheres, Crianças e Jovens, Velhos e Novos.

Como proclamou em devido tempo o Papa Francisco, Todos, Todos, Todos…!

Das notícias da comunicação social tirei 2 casos que:

- Uma Mãe teve um Filho, atirou-o para um Caixote do lixo e foi-se embora !

- Um homem morreu na sua casa onde vivia só e lá foi encontrado 15 (QUINZE) anos depois ! 

Acontece porém que estas são apenas 2 notícias apanhadas num conjunto vastíssimo de casos elegíveis. Estas situações acontecem, estão a acontecer com frequência. Não deveriam acontecer nunca (!), mas acontecem com frequência.

Como conjugar estas situações, e não são todas conhecidas, com o tal objetivo maçónico de Liberdade, Fraternidade, Igualdade ?

 

“Roubei” um pedaço de texto de um escrito de Valter Hugo Mãe:

a laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um album de fotografias./ depois, nessa mesma tarde, levaram o álbum porque achavam que ia servir apenas para que eu cultivasse a dor de perder a minha mulher./ depois, ainda nessa mesma tarde, trouxeram uma imagem da nossa senhora de fátima e disseram que, com o tempo, eu haveria de ganhar um credo religioso, aprenderia a rezar e salvaria assim a minha alma. e um médico respondeu, a verdade é que ficam mais calmos. /achei que era esperado de mim um desespero motor. digo motor para dizer de acção. algo como partir coisas, revirar os moveis, agredir fisicamente os funcionários, os enfermeiros que me poderiam prender. /o quarto pequeno é todo ele uma cela, a janela não abre e, se o vidro se partir, as grades de ferro antigas seguram as pessoas do lado de dentro do edifício. /pus-me a olhar para o chão, com ar de entregue. estou entregue, pensei. aos meus pés os dois sacos de roupa e uma enfermeira dizendo coisas simples. convencida de que a idade mental de um idoso é, de facto, igual à de uma criança. /o choque de se ser assim tratado é tremendo./

ao sétimo dia, o doutor bernardo pediu-me que passasse pelo seu consultório e perguntou-me como me sentia. disse-lhe que estava bem, que o lar correspondia a um grau de qualidade admirável e que eu estava bem. ele informou-me de que a elisa, o meu genro e os meus dois netos viriam visitar-me e quis saber se isso não me seria difícil. achei muito estranho que mo perguntasse, esperaria que nos primeiros tempos de uma experiência assim toda a proximidade de família com o idoso seria benéfica. contudo, encontrava-me ali com a obrigação de lhe dizer que sim ou que não, e pensei o suficiente para trazer ao cima o pior de mim. /disse que não. que não estaria disposto a receber a minha família porque precisava de tempo para esquecer a perda da laura e a necessidade de deixar a minha casa, não queria sentir que tudo prosseguia sem mim. ainda não./ o doutor bernardo percebeu as tremuras nas minhas mãos, um nervosismo que se começava a descontrolar e respondeu, claro, senhor silva, não se preocupe. é compreensível. está a libertar-se de muita coisa e precisa de tempo, é perfeitamente normal./ eu estava a libertar-me de tudo. tinha dois sacos de roupa e uma nossa senhora de fátima miserável e mais nada. /estava livre de tudo, como é óbvio. (*)

 Este é um exemplo de Liberdade !

É esta a “liberdade” que queremos propiciar ?

 E no caso da criança despudoradamente deixada num caixote do lixo ?

Imponho-me uma pergunta.

O que leva uma Mão a cometer tal crime ?

Àh, mas crime de quem ? Que condições conduziram a este desfecho ? Como foi a vida desta Mulher até chegar a ser Mãe ? Por que miséria passou, por que miséria moral passou ? por que miséria material passou ? Que infância lhe foi dada ?

Se procurarmos a resposta a estas questões corremos de risco de concluir que afinal esta “Mulher” é uma heroína da vida, capaz de resistir provavelmente a situações que nenhum de nós imagina e às quais nem seria capaz de resistir. Isso desculpa o abandono de um Filho ? A primeira resposta é um claro não ! Mas…

Atrevo-me a dizer-vos isto.

Não, mas…

Não sei !

 Este é um exemplo de Igualdade !

É esta a Igualdade que queremos distribuir ?

 “ Um homem morreu sozinho e ninguém reparou. A solidão é um apagamento vagaroso. O que dói mais não é ter morrido sozinho, é ninguém ter sentido a sua ausência”, considerou Pedro Chagas Freitas antes de rematar, “aquela porta 12, a do apartamento dele, ficou fechada durante 15 anos. Ninguém notou. Acho que não foi só a porta dele que ficou fechada. Acho que foi mais a nossa. Quando morrer não quero um grande funeral. Quero apenas que alguém repare que deixei de estar”.

Deixemos correr o “Humano” à volta das respostas a estas perguntas na esperança de que a Fraternidade, que também queremos distribuir, encontre respostas e soluções.

Será ?

Vamos confiar.

Basta que cada Maçon levante um dedo e a Maçonaria pode provocar um furacão.               A Humanidade precisa urgentemente de um furacão de Liberdade, de Igualdade, de Fraternidade. Vejamos o que pode a Humanidade esperar dos Maçons para além das intenções e dos juramentos.

É urgente, é muito urgente, passar a ações.

É urgente, é muito urgente, passar a ações !

 Agosto/6026

J.Paiva Setúbal (MM:.)