Meus Respeitáveis Irmãos, o acontecimento amplamente divulgado, nacional e internacionalmente, a perda de centenas vidas de jovens na plenitude de sua mocidade, ocorrida em uma boate na cidade de Santa Maria, no Estado do Rio Grande do Sul, nos dá a dimensão da banalização da morte.
Já não basta a violência, no nosso dia-a-dia, que ceifa inúmeras vidas, a maioria, de jovens e adolescentes, de forma cruel e sem qualquer sentido, temos agora esse trágico acontecimento para enriquecer as nefastas estatísticas acerca da prevalência e incidência de morte entre jovens.
O Jornal O Globo, na sua edição desta data (28.01) publicou um leiaute da boate, onde perplexo constato que a configuração das suas instalações se assemelha à um quase labirinto. Pior, pois tem apenas um vão para entrada e saída, e naquele (o labirinto), ao menos, há a previsão de uma saída independente.
Ora meus Respeitáveis Irmãos, não precisa ser dotado de qualquer paranormalidade para se prever, que mais cedo ou mais tarde, algo trágico iria ocorrer, e nem mesmo ser um “expert” em em análise de risco, para se determinar a altíssima probabilidade que o desastre ocorrido na madrugada de 27 de janeiro, já estava em construção.
Contudo, o que me aterroriza é a irresponsabilidade do Poder Público, melhor, da Municipalidade e do Estado em permitir que “aquilo” tivesse um alvará de funcionamento. Quantas edificações que recebem o grande público nesse imenso Brasil estão em condições idênticas e, da mesma forma, sob a égide do Poder Público? Mesmo que aquela casa de diversão possuísse os mais modernos equipamentos de segurança e prevenção de incêndio, o que não havia, a tragédia estava anunciada, ela certamente ocorreria. Qualquer tumulto que gerasse pânico, fuga em massa, ele seria o “gatilho” para desencadeá-la, pois o óbice mais elementar era que a boate não possuía outras saídas, apenas a que servia também como entrada. Não havia como evacuar com rapidez e segurança o público presente fosse 1000 ou 1500 pessoas, e esse é também um dos princípios basilares de quem trabalha com risco e prevenção. Como diria o velho Sherlock Holmes: - Elementar meu caro Watson!
Aí me questiono: Como foi concedido o alvará? Pergunto ainda - Em Santa Maria, para a sua concessão não se exige a vistoria e a emissão do laudo técnico da Engenharia do Corpo de Bombeiros? Se este a fez, definiu as exigências necessárias para adequada prevenção contra incêndio e, em especial quanto a questão da evacuação do ambiente, levando em consideração, que qualquer acidente mais sério, aquele público estará sob o domínio do pânico?
Mais ainda, um evento daquela magnitude, amplamente divulgado, tradicional, não teve autorização prévia das autoridades, inclusive a policial, para ao menos se posicionar uma viatura de polícia à frente da boate para dar o apoio necessário? Era uma festa com muitos jovens e a bebida “corre solta”, o que invariavelmente ocasiona distúrbios.
A verdade é que estamos frente a mais uma tragédia, onde todos se lamentam e choram. As semanas passarão e ela deixará de ser notícia de primeira página, os parentes se organizarão para processar os órgãos públicos, ocorrerão protestos, mas a vida prosseguirá a sua marcha, inexoravelmente.
Lamento pelos que banalmente morreram, pelos que ficaram mutilados físico e mentalmente, pelos pais que não terão o calor de seus filhos, pelos pais que não terão netos, e pelos seus netos que ficaram sem pais.
Oh!Senhor meu Deus, até quando vamos ter de lidar repetidamente com estas impunes e dolorosas inconsequências?
Reflitam meus Irmãos!
FONTE SITE DO SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL DE MAÇONS ANTIGOS LIVRES E ACEITOS.