Amós, muito mais que um Muro e um Prumo
Amós era um homem comum, nascido em Técua, um profeta, pastor de ovelhas e cultivava sicômoros, que são árvores que se assemelham a figueiras, as suas profecias foram um marco na história do povo de Israel, mesmo não se considerando um profeta, numa das suas passagens onde diz a Amazias:
Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de seguir rebanho, e o Senhor me disse: Vai, e profetiza ao meu povo Israel
Amós 7:14-15.
Ele era considerado um profeta da justiça, viveu no meio da idolatria, violência e injustiça, fazendo um resgaste da ética com o próximo e apelava incessantemente pelos pobres, injustiçados e oprimidos.
Foi expulso de Israel pelo Rei Jeroboão II, denunciado por Amazias, onde retornou a Judá e escreveu as suas profecias.
Teve a sua morte espancado por Amazias e o seu filho que lhe perfurou as têmporas com a ponta de um ferro, após o levaram no seu fio de vida para a sua terra natal, onde foi sepultado junto aos seus pais.
Agora que já sabemos um pouco da história deste nobre homem, vamos seguir com o estudo que o relaciona com o grau de Companheiro Maçom.
Descobri neste estudo que Amós tem ainda mais relação com o nosso grau do que o simples versículo do nosso uso.
Podemos dividir o livro em 5 partes, número bem conhecido no nosso grau. Vejamos:
- Como: O pronunciamento do Juízo;
- Como: O Juízo divino é inimitável por causa do pecado;
- Como: Deus roga a Israel que volte pra ele;
- Como: Fenômenos relacionados com o Juízo;
- Como: Restauração de israel.
Estas 5 partes tornam-se ainda mais claras se fizermos a conexão com as 5 visões de Amós:
- Visão como: A praga de Gafanhotos;
- Visão como: Devastação pelo fogo;
- Visão como: O prumo;
- Visão como: O cesto de frutos;
- Visão como: Restauração espiritual de Israel.
O nosso sagrado livro da lei, quando aberto no grau de Companheiro, em Amós 7 7:8 diz-nos o seguinte:
7 Mostrou-me também assim; e eis que o Senhor estava sobre um muro, feito a prumo; e tinha um prumo na sua mão. 8 E o Senhor me disse: Que vês tu, Amós? E eu disse: Um prumo. Então disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel, e daqui por diante nunca mais passarei por ele.
Na sua citação, o Senhor faz a referência para Amós sobre o prumo, que simbolicamente nos traz o entendimento da retidão, segundo Da Camino, “um muro feito a prumo, significa uma edificação feita correta e de forma vertical”, podemos entender que viver a prumo, ou seja, corretamente leva-nos à conexão com o divino nesta forma vertical, com a nossa caminhada, passo a passo na Escada de Jacob. A Maçonaria busca lembrar ao Maçom que ele tem, através dos seus actos e consciência, a mesma visão de Amós, do muro e do prumo nas mãos.
Houve uma época em que o povo de Israel foi muito privilegiado. Deus o chamou da escravidão no Egito e lhe deu a terra de Canaã, terra prometida ao seu povo desde o chamado de Abraão. Mas, ele prometeu castigar a nação se ela se tornasse desobediente. Israel tinha um passado glorioso, mas, na época de Amós, não estava mais servindo ao Senhor, podemos de fácil interpretação entender que Israel estava “torto”, precisava se desfazer para novamente ser feito a prumo.
O problema foi simples – eles deixaram de andar conforme a vontade de Deus. Deus não procurava alterações e “melhoramentos” humanos. Ele queria um povo que estivesse no prumo, sempre conectado verticalmente com o divino, e fiel às suas instruções originais.
O prumo também é considerado um dos principais itens de trabalho na construção do nosso templo interior, fazendo a ligação do Nadir ao Zênite, buscando a sabedoria e evolução para alimentar o nosso espirito. Muitas vezes não temos a humildade de ver e entender que o muro não está reto, e tomar a decisão de derrubá-lo e reconstruí-lo, pois, o que importa não é o tamanho da edificação, mas sim, a retidão que ela se fez, os princípios e ferramentas adotados para a construção.
Portanto, cabe a nós companheiros, ver e entender se os nossos 3 anos como Aprendiz o muro está a prumo, para que sem vaidade e muita humildade continuemos a obra, ou reconstruímos, em direção ao divino, buscando a retidão e a verdade, pois assim que a encontramos, coloquemos um prumo nela, para sempre permanecer no caminho correto, nunca nos distanciando daquilo que viemos buscar sempre nos nossos trabalhos, a verdade. Tendo a perícia na retidão dos nossos julgamentos, o equilíbrio nas nossas decisões e manifestando o nosso senso de justiça e imparcialidade a respeito da igualdade de direitos. Pôr um fim às injustiças, é essa a mensagem de “por um prumo no meio do povo”.
Mateus Hautt Nörenberg, C. M. – CIM nº 26414, ARLS Hiram Abiff nº 535, GORGS
Bibliografia
- DA CAMINO, Rizzardo. Dicionário Maçônico.
- ADOUM, Jorge. O grau de Companheiro e seus mistérios.
- WIKIPPÉDIA. Amós.
- BÍBLIA SAGRADA. Versão Rei James.
- RITUAL DE COMPANHEIRO MAÇOM, GORGS
