Michael Winetzki

ABREU E LIMA: O BRASILEIRO LIBERTADOR DA AMÉRICA ESPANHOLA - Kennyo Ismail

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✍️ noreply@blogger.com (Michael Winetzki) 📅 27/03/2026 👁️ 0 Leituras



José Inácio de Abreu e Lima era maçom e filho do também maçom, Padre Roma, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, que contou com participação ativa da Maçonaria, a ponto de motivar um veto real de Dom João VI, no ano seguinte. Seu pai foi preso e condenado à morte, o que sepultou sua carreira militar no Brasil, levando-o a começar uma nova vida na América Espanhola.

Abreu e Lima tornou-se general do exército libertador e homem de confiança do também maçom, Simón Bolívar. E como maçom, Abreu e Lima costurou contatos e relações entre a maçonaria brasileira e a da América Espanhola como nenhuma outra pessoa teria condições de fazer à época

Ele é considerado um dos libertadores da Venezuela e Colômbia, mas dividia seu tempo entre a espada e a pena. Sua produção literária na época impulsionou a era das revoluções. Até mesmo no exército bolivariano, ao mesmo tempo em que era Chefe do Estado-Maior, servia como escriba particular do próprio Simón Bolívar (280).

Com a morte de Bolívar e a ascensão de seus opositores ao poder, Abreu e Lima exilou-se na Europa. Isso bem na época em que Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro e foi para a França. Dom Pedro quis conhecer aquele brasileiro que era herói na América Espanhola e, nesse encontro, Abreu e Lima encontrou em Dom Pedro I a possibilidade de estender o sonho de Bolívar de um império com extensões continentais. E esse império era o Brasil, sua pátria natal.

No entanto, em 13 anos no Rio de Janeiro, Abreu e Lima não obteve êxito em seu intento do retorno de Dom Pedro I. Nesse interim, dedicou-se à escrita de obras históricas sob a égide do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mas enfrentou severas críticas de um grupo opositor. Decidiu então retornar a Pernambuco, se candidatou a Deputado Geral (equivalente a Deputado Federal), mas não conseguiu se eleger. Então, alguns de seus familiares se envolveram com a Revolta Praieira (1848) e ele, mesmo sem ter se envolvido, também foi preso e passou pouco mais de um ano encarcerado.

Já solto, passou os últimos poucos anos de vida escrevendo suas opiniões, muitas delas polêmicas para a época, como a favor da liberdade religiosa e do Socialismo. Até mesmo sua morte causou controvérsia, quando o bispo local proibiu que ele fosse enterrado no cemitério católico. Após as manifestações e gestões de alguns maçons, o General Abreu e Lima, herói da independência venezuelana, que havia convivido com Bolívar, Santander, Paez, Dom Pedro 1 e tantas outras personalidades, foi enterrado no cemitério dos ingleses, entre Recife e Olinda (281).

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025ISMAIL, 

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:*

(280) SOUSA, M. S. O. A América Latina de Pernambuco á Grã-Colômbia: O General Abreu e Lima e a Questão Nacional. Anais do XXIX Simpósio Nacional de História. Brasília, Julho-2017.

(281) ISMAIL, K. História da Maçonaria brasileira para adultos. Londrina: A Trolha, 2017, p. 54-56.

🔺🌿📖🌿 🔺 *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*





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