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A sombra do ego ameaça a Loja

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✍️ Desconhecido 📅 18/07/2025 👁️ 0 Leituras

ego loja

Quando a insegurança e a sede de poder ameaçam a harmonia da Loja

No templo, onde cada palavra deve nascer do silêncio interior e cada gesto aspira a edificar, a sombra também se pode infiltrar. Nem sempre é externa. Às vezes, ela toma forma dentro das nossas próprias colunas, quando os ideais maçónicos são ameaçados não por ataques do mundo profano, mas pelas fraquezas humanas que alguns trazem consigo ao entrar.

Nem todos os que vestem o avental compreenderam o seu verdadeiro peso simbólico. Alguns vêem-no como uma medalha. Outros, pior ainda, como um disfarce. Há quem, longe de buscar o aperfeiçoamento interior, chegue à Ordem com uma necessidade urgente de preencher vazios: complexos de inferioridade, frustrações pessoais, feridas não resolvidas ou desejos de controlo que não puderam satisfazer noutros âmbitos.

E então acontece o previsível: transformam a Loja num palco. Em vez de trabalharem na sua pedra bruta, projectam as suas carências nos outros. Não procuram luz, mas atenção. Não constroem, calculam. Não se alinham com o compasso, evitam-no para traçar a sua própria agenda.

Tenho testemunhado como estes perfis agem. Primeiro, tecem laços na periferia, ganham simpatia, disfarçam-se de protectores da regularidade ou guardiões da tradição. Depois, semeiam a dúvida: pequenas frases, rumores subtis, gestos ambíguos. O que se segue é uma erosão progressiva da confiança. E se não for detectada a tempo, esta rachadura se transforma em ruptura.

O problema não é o desacordo, porque toda Loja viva discute e se enriquece com o pluralismo, mas sim a intencionalidade. Uma coisa é discordar em busca do bem comum, outra é questionar para desestabilizar, outra coisa é o zelo pelos valores e outra ainda mais distinta é o uso estratégico da linguagem maçónica como fachada para interesses pessoais.

O Irmão que não consegue dominar o seu ego não constrói, confunde. Não ensina, manipula. E o mais perigoso: muitas vezes consegue dividir. Porque a dúvida, uma vez semeada, propaga-se rapidamente quando não se cultiva a vigilância e a reflexão na Loja.

O que podemos fazer diante desta ameaça silenciosa? Em primeiro lugar, devemos lembrar que a Maçonaria não é um refúgio para egos feridos, mas uma escola de carácter. Ninguém deve entrar em busca de poder, reconhecimento ou superioridade. Quem o faz, interpretou completamente mal o propósito iniciático.

Em segundo lugar, devemos reforçar a educação maçónica. Que cada Aprendiz compreenda desde o início que aqui não se vem para brilhar, mas para se aperfeiçoar, que cada Companheiro saiba que o progresso não se mede em cargos, mas em transformação interior e que cada Mestre se lembre de que o seu maior poder está no exemplo, não na imposição.

E, em terceiro lugar, devemos ter a coragem de nomear o que está a acontecer. Não para condenar ou apontar o dedo, mas para proteger a harmonia. O silêncio não deve ser cúmplice do dano. Deve ser fértil, sim, mas também deve dar lugar à palavra justa quando a saúde da Loja está em risco.

A fraternidade, se não for cuidada, pode transformar-se em permissividade. E a permissividade perante o ego descontrolado acaba por corroer os próprios pilares da nossa Ordem.

Por fim, não nos esqueçamos de que uma Loja não é destruída pelo erro de um, mas pelo silêncio de muitos, que não se trata de perseguir fantasmas nem de iniciar caçadas, mas de estar atento e cultivar o discernimento e falar com firmeza, mas também com compaixão.

Se um Irmão se desviou, ainda podemos estender-lhe a mão. Mas se ele insiste em fazer do templo o seu campo de batalha pessoal, então devemos agir com lucidez e firmeza, porque proteger a harmonia é proteger a própria alma da Maçonaria.

Luis Fernando Martinez Miranda, ARLS Reunião Americana nº 141 – Grande Loja Simbólica do Paraguai

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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