Freemason

A sala dos passos perdidos

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✍️ Desconhecido 📅 30/01/2026 👁️ 0 Leituras

esquadro, compasso, passos

A designação sala dos passos perdidos foi copiada pela Maçonaria do parlamento inglês, constava de uma antecâmara onde o cidadão esperava ser atendido, ou recebia decisões e despachos de assuntos do seu interesse. Era quando este perambulava sem destino para descarregar a sua ansiedade; algo semelhante à sala de preocupações do tio Patinhas, onde aquele anda em círculos até afundar o piso sob os seus pés pelas mesmas razões.

Na Maçonaria este espaço está localizado antes do átrio e do templo. É a sala de espera para aguardar o inicio dos trabalhos e onde são tratados os mais diversos assuntos. Onde possível, consta de um local confortável, com poltronas ou cadeiras, mesa, e onde se pratica a sociabilização, cada um à sua maneira e de acordo com a sua personalidade.

Neste local não existe ordem nem ritualística, as pessoas transitam pela sala em qualquer direcção, formam grupos em diálogos de todos os tipos, nada tem rumo, daí a semelhança com a ante-sala do parlamento inglês.

Aproveita-se o tempo para pagar emolumentos ao irmão tesoureiro. Se houver alguma colecta de recursos para campanhas de caridade da loja, o irmão hospitaleiro faz esta colecta, dá recibo e a registra. Recebem-se recados do irmão secretário de alguma pendência de documentos ou outras providências burocráticas. O irmão mestre de cerimónias faz a distribuição dos colares aos oficiais se o obreiro tiver cargo em loja, mas estes não os vestem. Assina-se o livro de presenças junto ao irmão chanceler. É discretamente feito o telhamento de visitantes. Consulta-se o edital com alguma novidade em exposição.

Regem as etiquetas e comportamentos profanos, dentro do maior respeito.

A agitação vai lentamente cedendo lugar ao silêncio, e conforme os arranjos de preparação vão progredindo e a hora de inicio dos trabalhos se aproxima, vai perdendo a influência o mundo profano até entrar no átrio, onde toda a agitação cessa.

O mestre de cerimónias convida os irmãos a entrarem no átrio.

O cobridor externo, já devidamente paramentado, portando espada, fecha a porta externa às suas costas.

Passa a reinar silêncio e o comportamento é formal, ritualístico, silencioso e ordeiro. Consta de uma sala, normalmente de quase a mesma largura do templo e adequada para receber todos os irmãos perfilados. As lojas que possuem átrios de pequenas dimensões, usam a sala dos passos perdidos também como átrio.

O átrio é o vestíbulo do templo, é onde cada obreiro coloca o seu avental e paramentos com a garantia de estar fora de alcance de olhos profanos.

Pela descrição das funções dos dois ambientes percebe-se que enquanto na sala dos passos perdidos reina o caos do mundo profano no átrio age o sacro, tem regras e ritualística. Num actua o mundano, noutro o sagrado, para honra e à glória do Grande Arquitecto do Universo.

Charles Evaldo Boller

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