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A romã, guardiã dos mistérios maçónicos

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✍️ Desconhecido 📅 25/12/2025 👁️ 0 Leituras

romãs

A romã destaca-se no firmamento simbólico da Maçonaria como um arquétipo pulsante: é a tensão da unidade à multiplicidade e vice-versa, da certeza da Ordem à incerteza da pesquisa, do silêncio à palavra que ilumina.

A forma esférica alude à perfeição pitagórica, a casca dura é guardiã da Tradição, os grãos vermelhos, numerosos e distintos, testemunham a riqueza irredutível das subjectividades maçónicas, unidas na Loja sem nunca serem anuladas.

Na linguagem hermética, a relação entre o fruto e a Instituição torna-se paradigma: a Loja é a romã, microcosmo em que cada grão é um Irmão ou uma Irmã, único e necessário à prosperidade do conjunto; a Obediência é a casca que acolhe, protege e mantém unido, para que a unidade não colapse no indiferenciado.

O sentido de pertença é o eixo do caminho iniciático:

Unus pro omnibus, omnes pro uno

Postura interior que não diminui a liberdade, mas refina-a na medida do compromisso comum.

Cada grão nutre: uma Loja floresce quando cada um se sente parte da Obra, responsável pelo seu próprio traço de luz. A obediência, suave e severa, não é submissão cega: é escuta atenta, disciplina consciente, escolha de aderir a regras que nos precedem para que, juntos, possamos buscar a Verdade.

É uma obediência racional, antítese da obediência passiva, porque a liberdade do Maçom Livre resplandece justamente no consentimento lúcido e compartilhado às leis da Oficina.

Nada expressa a dinâmica evolutiva da Loja como o fruto aberto: diversidade e semelhança coexistem nos grãos que brilham e o todo é mais do que a soma das partes. A Tradição adverte: a perda de um grão perturba a integridade. No entanto, a planta resiste, renova-se, dá novos frutos; assim como a Loja, que regenera a sua seiva mesmo após a despedida de um Irmão ou uma Irmã.

Omnia mutantur, nihil interit

não é destruição, mas transformação.

O sulco da fraternidade permanece, assim como permanecem os valores que fazem da Oficina uma casa de trabalho e de esperança.

E, para recordar a nobreza da dissidência, poderíamos dizer com Voltaire pela boca de Evelyn Beatrice Hall:

Não concordo consigo, mas lutarei para que possa expressar a sua opinião.

A Loja guarda a integridade e, ao mesmo tempo, enriquece-se com os atritos fecundos entre ideias sinceras.

A casca, por vezes amarga, sempre firme, defende da agressão do mundo profano sem isolar: abre passagens, filtra, educa. A iniciação ensina que o amor tem muitas vozes: Agapê, Erôs, Philia, respeito, paixão, amizade; como três correntes que confluem no coração do fruto e fazem da comunidade iniciática uma comunhão exigente e geradora.

A mulher Maçom é voz e semente da romã e encarna a sua alquimia: poder gerador e medida, humildade e firmeza, acolhimento e rigor. Na romã, ela revê o seu trabalho diário: guardar a pluralidade dos grãos sem perder o centro; defender a diferença, subtraindo-a tanto da dispersão quanto da homologação.

Na Loja, ela traz um conhecimento de cuidado que não suaviza a lei, mas a torna vivível; uma inteligência relacional que não teme o conflito, porque acredita no trabalho lento da concórdia. Quando se inclina perante a diversidade dos grãos, ela não recua: reconhece que a unidade é uma conquista, um exercício de escuta, uma prática de responsabilidade.

A sua voz, chama tenaz, lembra que a Tradição não é uma relíquia, mas uma seiva que corre: a casca protege, sim, mas abre-se no momento oportuno, para nutrir o mundo. Neste gesto, da certeza da casca à incerteza da semente, a mulher maçom testemunha que a liberdade não é solidão, é pertença escolhida; que a força não é dureza, é cuidado; que o ritual não é hábito, é nascimento contínuo da Obra.

Assim se fecha o círculo e imediatamente se reabre: do Um à multiplicidade e vice-versa, da palavra ao silêncio fecundo, da perda ao renascimento. A romã, no coração da Maçonaria, permanece como convite e advertência: procurar o Um na diferença, não temer a metamorfose, vigiar para que cada grão, cada Irmão, cada Irmã, encontre o seu lugar e a sua tarefa na Obra intemporal. E quando um grão se desprende, a planta não morre: prepara-se para a próxima estação, fiel ao sol da fraternidade, ao sopro da igualdade, ao vento livre da pesquisa.

Rosmunda Cristiano

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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