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A repetição dos rituais

✍️ Desconhecido 📅 07/05/2021 👁️ 9 Leituras

repetição

Nos relacionamentos o homem é constantemente provocado pelos outros, o que o repetição leva a adoptar diferentes comportamentos em resultado do estado neurofisiológico em que se encontra. E cada instante reage de forma diferente; ocorrem factos iguais onde como organismo emocional ele reage de forma diversa. Ao encontrar-se num ambiente pacífico reage com estados mentais que o habilitam a desenvolver bons relacionamentos, estes podem ser: confiança, amor, força interior, alegria êxtase, crença; todas elas liberam grandes porções de poder pessoal. Ao encontrar-se num ambiente em permanente contenção, as reacções químicas do cérebro o levam a paralisar, inibem a sua capacidade de entrar em acção, onde entram: culpa, confusão, depressão, medo, ansiedade, tristeza, frustração; todas retiram o poder pessoal.

Entender os estados em que se está e que aqueles com quem se convive também estão sujeitos, é a chave para entender mudanças. O comportamento é resultado dos estados em que cada um se encontra na linha do tempo. Nunca é constante. A título de exemplo: quando acontece de alguém nos tratar com pouco caso, indiferença, a saída mais lógica e racional é desenvolver um sentimento de compaixão ao invés de raiva. Porque raiva é um estado mental que bloqueia a acção, e um homem sem acção não trabalha o que o seu espírito desenvolve, não cria condições para o florescimento do amor fraterno.

Conhecer a si mesmo leva a encontrar a chave para tomar conta do próprio estado emocional, a compreender o estado emocional dos outros, e em consequência da mudança de atitude defronte aos desafios. O outro só muda quando se muda o próprio comportamento. O outro só muda se eu mudar. A chave é tomar conta do próprio estado em consequência do próprio comportamento e com isto influenciar os que nos rodeiam. Este é o poder que detona o processo de transformação do invisível em visível. O mais extraordinário é que cada um já o possui.

Pela repetição dos rituais, deduz-se a importância de fazer o que é determinado e desenvolve-se a capacidade de decidir o que se deseja; a repetição é a mãe da perfeição. Pelo exemplo repetitivo dos rituais incute-se a disciplina para decidir o que se deseja e então entrar em acção, ponderando sobre o que está funcionando e o que não funciona, ou nunca irá funcionar. Com esta certeza em mente determina-se a mudança e busca-se realizar o foco até alcançar o que se quer.

O cidadão hodierno, além das necessidades elencadas por Maslow, tem necessidade de varrer para fora da mente todo o lixo mental que a entope. Vítima da condução das massas promovida pela comunicação social, a vida política e social culmina em se transformar em enfermidade, moléstia de que as massas padecem e que aviltam o ser. O Maçom, na sua loja, efectua limpeza da mente em resultado da repetição contida no ritual e começa a ver a luz do conhecimento sem dogmas o que favorece o desenvolvimento da capacidade de pensar com isenção e equilíbrio.

Quando em loja, o Maçom tem a oportunidade de treinar todas as nuanças da sua psique em resultado da repetição com novo foco que cada encontro proporciona. Some-se a isto aquilo que os irmãos declaram e expõem da sua própria experiência de vida e toda sessão maçónica resulta numa bagagem adicional a ser levada para casa ao final dos trabalhos. E se, além da aplicação instrucional tradicional, são promovidas conversas descontraídas sobre temas políticos, sociológicos, filosóficos e antropológicos, cada Maçom presente muda a si mesmo e com isto influi no meio social em que actua. A constante repetição da receita do ritual serve de lastro e prepara o ambiente com energias que apenas podem ser sentidas porque constitui o sagrado que existe no maçom, a mais íntima expressão metafísica que possibilita a mudança – é onde cada Maçom actua à glória do Grande Arquitecto do Universo.

Charles Evaldo Boller

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