A régua de 24 polegadas
Falar sobre a régua, um instrumento de extrema importância nos canteiros de obra, se faz necessário um entendimento profano da ferramenta.
Oriunda do francês, règle, o seu significado era lei, regra.
A régua é uma ferramenta para o uso de medida, comparativo.
Remete ao traçado recto, que junto ao malho e o cinzel fazem parte do árduo trabalho do aprendiz na sua pedra bruta, torná-la cúbica.
A evolução das medidas se deu, podemos dizer, recentemente, a régua, podemos, por assim dizer, foi a revolução para as medidas, tendo por base que na antiguidade as medidas eram feitas por partes do corpo, pés, dedos, braças e côvados, como nos bem é conhecido.
Esta evolução deu-se por enfrentarem problemas de divergências nas medidas.
Imaginemos, eu, Mateus, possuo uma medida da minha falange do dedo diferente da de outro irmão. Usei essa denominação, pois ela rege a polegada.
Mesmo exemplo, a minha medida do dedo maior ao cotovelo, medida conhecida por côvado, que facilmente outro irmão terá por outra medida o mesmo côvado.
A régua veio a fim de padronizar as medidas, tornando essas precisas, ou por um conceito mais enérgico, tornando correcta a medida.
O traçado recto da régua nos tange as regras, mostrando-nos que temos uma medida correcta, ou seja, uma única regra.
Mostra com muita exactidão que não existe uma regra para mim, outra para você, como antigamente existia, nessas imprecisões que existiam antigamente, transmitindo a todos a unidade das regras, que é única, trazendo esta padronização, estabelecendo leis e padrões de conduta.
Nos pés do Monte Sinai, Moisés fez o uso da régua ou regra, criando as regras de convivência em família, código penal, leis religiosas, realizando o censo, dividindo o povo em tribos, instituindo hierarquia de comando, entregando os dez mandamentos para instituir e fazer valer a lei ou a regra.
Precisamos fazer o uso da nossa régua, sabendo o que maçonicamente temos por deveres, tendo em vista que, presentemente, existe um emaranhado de regras que nem sempre fazem valer o que por direito é justo para o bom convívio fraterno.
Segundo Ragon: “A régua simboliza o aperfeiçoamento; sem a régua, a indústria seria uma aventura, as artes seriam defeituosas, as ciências só ofereceriam sistemas incoerentes, a lógica seria caprichosa e desordenada, a legislação seria arbitrária e opressiva, a música seria discordante, a filosofia não passaria de uma obscura metafísica e as ciências perderiam a sua lucidez.”
No livro a simbólica maçónica Jules Boucher cita:
“Estas vinte e quatro divisões da régua, estão relacionadas com as vinte e quatro horas do dia, que devem ser todas convenientemente empregadas.”
Aprendemos que o Maçom está sob constante observação, pois além de ser para muito mal visto pela sociedade, os que empregam mal as suas acções e atitudes nessas vinte e quatro horas do dia, são os que mancham a nossa ordem, aqueles que não seguem as regras, que empregam mal o uso da régua nas suas vidas. A nossa família espera certamente de nós que sejamos exemplos, luz para as pessoas que estão próximas a nós, para que o nosso agir seja claro, a nossa mente harmoniosa e o nosso coração carregue o mais puro sentimento de amor para aqueles que nos rodeiam.
Portanto, meus irmãos, saibamos usar a nossa régua com muita seriedade, lembrando que ela rege os padrões de leis e regras que nós maçons devemos seguir, com a rectidão indiscutível da conduta que demonstramos aqui em templo e na vida profana.
Mateus Hautt Nörenberg, C. M. – CIM nº 26414, ARLS Hiram Abiff nº 535 (GORGS)
