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A Ordem da Cruz Vermelha de Constantino

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✍️ Desconhecido 📅 08/10/2023 👁️ 1 Leituras

Ordem da Cruz Vermelha de Constantino

Apresentação

A Ordem da Cruz Vermelha de Constantino pertence à classe dita “do Oriente e do Ocidente” dos ritos maçónicos e compreende três graus, o de Cavaleiro, o de Sacerdote e o de Príncipe Soberano na progressão iniciática.

O 1º grau da Ordem, o de Cavaleiro Companheiro, conduz do paganismo ao cristianismo, utilizando a lenda da conversão de Constantino, o Grande, como símbolo desta transição.

O candidato apresenta-se como um “Cavaleiro de Roma” que deseja abraçar a fé cristã e deve ser um Maçom do Arco Real, de acordo com as antigas tradições da Ordem, que afirmam que “A Antiga e Cavaleira Ordem de Constantino, tendo gozado durante muito tempo do patrocínio e protecção de alguns dos mais eminentes membros da Fraternidade Maçónica, foi decidido que apenas os Maçons do Arco Real eram elegíveis como candidatos à admissão a um Conclave sob a jurisdição de um Grande Conclave Imperial”.

Tanto quanto se sabe, nunca existiu uma Ordem dos Cavaleiros de Roma, reservada aos maçons e associada aos Cavaleiros da Cruz Vermelha de Constantino como grau preliminar, e é provável que o título de “Cavaleiro de Roma” ostentado pelo candidato indique apenas que ele representa simbolicamente um membro da Ordem Equestre Romana, que aceita a doutrina cristã da Trindade.

O 2º grau, o do Venerável Eusébio, é um dos da classe “sacerdotal”. Um Cavaleiro que tenha atingido este estatuto é elegível para o cargo de Eminente Vice-Rei de um Conclave, desde que satisfaça o requisito estatutário de ser também membro das Ordens Agregadas do Santo Sepulcro e de São João Evangelista e seja devidamente eleito para esse cargo. Os cargos de Eusébio e de Vice-Rei são distintos e, quando um Vice-Rei deixa de exercer o cargo, o seu estatuto de Eusébio não é afectado.

O 3º grau é reservado aos Muito Poderosos Soberanos que representam Constantino, Príncipe Soberano do Oriente e do Ocidente. Os Estatutos Gerais estipulam que um Soberano deve ter exercido o cargo de Vice-Rei durante um ano num Conclave regular. Este grau completa e coroa a Ordem da Cruz Vermelha de Constantino.

As Ordens Agregadas do Santo Sepulcro e de São João Evangelista foram “anexadas” à da Cruz Vermelha numa fase inicial e são atribuídos Certificados diferentes aos membros destas Ordens.

Nota histórica

A Ordem “Maçónica” da Cruz Vermelha de Constantino foi originalmente estabelecida no Reino Unido por Charles Shirreff na década de 1780. Em 1804 foi reorganizada por Waller Rodwell Wright, um dos signatários do Acto de União de 1813, em nome da Grande Loja dos Modernos.

Durante os cinquenta anos seguintes, a Ordem teria estado pouco activa, mas o Grande Conclave Imperial “reconvocado” em 1865 elegeu William Henry White, antigo Grande Secretário (1810-1857) da Grande Loja Unida de Inglaterra, como Grande Soberano que foi devidamente instalado no Trono.

Desde 1865, a actividade tem sido regular e contínua e os Grandes Conclaves Imperiais têm sido constituídos pela Inglaterra no mundo de língua inglesa. O título original de “Ordem Imperial, Eclesiástica e Militar da Cruz Vermelha de Roma e Constantino” indica claramente a sua estrutura ritual em três graus: “Príncipe, Sacerdote e Cavaleiro”.

Coins Flavius Valerius Aurelius Claudius Constantinus, ou Constantino, o Grande [280/288 ? – 337] era filho de Flavius Valerius Constatants (Morus, ou Constantius I Chlorus (= pálido) [? – 306] e de Flavia Julia Helena, a chamada princesa britânica Helena, que na realidade nasceu na Bitínia, no seio de uma família muito humilde. Constantino nasceu em Nish, na Sérvia, e não em York, como diz a lenda, onde o seu pai nasceu e morreu. Tornou-se governador da Gália e da Bretanha depois do seu pai, que lhe deu o nome de “César” no seu leito de morte, e foi proclamado “Augusto” pelas legiões romanas em Eburacum (Iorque) no Verão de 306. Depois de derrotar Maxêncio na Batalha de Saxa Rubra, na Ponte Milviana, perto de Roma, em 312, consolidou a sua posição e foi aceite pelo Senado como imperador legítimo. Em 323, derrotou Licínio em Andrinopla, perto de Bizâncio, e assumiu o controlo do Império Oriental, tornando-se Imperador do Oriente e do Ocidente. Em 330, transferiu a capital do império de Roma para Bizâncio, que mandou reconstruir magnificamente e a que deu o nome de Constantinopla.

Constantino foi o primeiro imperador romano a encorajar abertamente o Cristianismo, mas têm sido apresentados argumentos contraditórios quanto à data da sua conversão efectiva, tal como é contada na lenda da fundação da Ordem da Cruz Vermelha. Seja como for, convocou e presidiu ao primeiro Concílio de Niceia, em 325.

Dois bispos, contemporâneos de Constantino, tinham o nome de Eusébio, e não se sabe ao certo qual deles é tradicionalmente associado à fundação da Ordem.

Eusébio de Nicomédia (falecido por volta de 342) foi um dos promotores da heresia ariana, pelo que foi exilado. No entanto, voltou a ser benquisto e, segundo a tradição, foi ele quem baptizou o imperador.

Eusébio “Pamphilus” (cerca de 270-339), bispo de Cesareia em 313, foi o “Pai” da história eclesiástica. Desempenhou um papel importante no Concílio de Nicéia, convocado por Constantino em 325, durante o qual a heresia ariana foi condenada e o Credo ou Símbolo de Nicéia foi promulgado. O seu assentimento ao texto do Credo foi forçado, uma vez que também ele simpatizava com as doutrinas do arianismo, o que o levou a ser desonrado durante vários anos. Tal como o outro Eusébio, reconciliou-se com Constantino, que terá partilhado com ele a sua visão da Cruz e lhe terá mostrado o Labarum.

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

Fonte

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