A MORTE DO "EU PROFANO"
Toda verdadeira iniciação começa com uma renúncia.
O homem que procura a Luz não pode entrar no Templo
sendo exatamente o mesmo que era antes de bater em suas portas. Deve estar
disposto a se livrar daquilo que limita o seu crescimento: orgulho,
preconceitos, falsas certezas e domínio das suas paixões.
É por isso que a tradição maçônica fala de uma
transformação interior que muitos descrevem como uma “morte simbólica”. Não
morre o homem físico, mas a maneira antiga de pensar e compreender o mundo.
O termo profano vem do latim pró fanum: “fora do
templo”. Representa o homem que ainda vive condicionado pelo ego, aparência e
apegos materiais, sem ter iniciado o trabalho consciente sobre si mesmo.
Atravessar o limiar implica então uma decisão
profunda:
abandonar o conforto das certezas para entrar no
caminho da busca.
Maçonaria não promete perfeição imediata. Entrega
ferramentas. O resto depende do trabalho constante do iniciado.
A pedra bruta simboliza precisamente esse estado
inicial do ser humano: uma obra incompleta, cheia de arestas e contradições.
Com vontade, disciplina e reflexão, cada golpe do baralho representa um esforço
para se corrigir, compreender e elevar moralmente.
- Ninguém se transforma sem sacrifício
- Ninguém alcança clareza sem antes enfrentar sua
própria escuridão
- Ninguém constrói um templo firme sem remover
primeiro os destroços interiores
A verdadeira mudança começa quando o homem deixa de se
perguntar o que pode obter do mundo e começa a se perguntar o que deve corrigir
dentro de si mesmo.
Porque a iniciação não consiste em adquirir segredos,
mas em iniciar uma batalha silenciosa contra as próprias limitações.
E é aí, nesse combate interior, que realmente nasce o
iniciado.
Por Carlos L. Sánchez
