A espada flamejante
Para muitos maçons, a Espada Flamejante é um símbolo comum usado para guardar a entrada do Templo Maçónico, empunhada pelo Guarda Interno da Loja. Esta é uma espada de tamanho normal, não afiada, carregada pelo guardião para indicar que a entrada para os trabalhos Maçónicos está sob os seus cuidados e jurisdição. O que é uma Espada Flamejante e qual é o seu significado para os maçons?
História da Espada
Do Dicionário Maçónico de Mackey, aprendemos que a espada flamejante é representativa da espada carregada pelos querubins que guardavam a entrada da Árvore da Vida, no Jardim do Éden, e que também expulsaram Adão e Eva do Jardim devido às suas transgressões. Contudo, isto pode ser apenas a ponta do iceberg quando se trata do simbolismo da espada flamejante.
“Depois que ele expulsou o homem, ele colocou no lado leste do Jardim do Éden, querubins e uma espada flamejante agitando-se para a frente e para trás para guardar o caminho para a árvore da vida”.
Génesis 3:24
No entanto, isto pode ser apenas a ponta do iceberg quando se trata do simbolismo da espada flamejante.
Para um breve olhar histórico, as espadas foram produzidas pela primeira vez por volta de 3300 a.C., na Idade do Bronze, surgindo pela primeira vez no Médio Oriente. Foram criadas a partir do trabalho sobre bronze e geralmente tinham cerca de dois pés de comprimento (24 polegadas ou 60 cm). A espada desenvolveu-se naturalmente a partir da faca (ponta afiada única) e da adaga (ponta afiada dupla). A arma não ganhou destaque até à Idade do Ferro e o início do período medieval na Europa, onde se tornou mais sofisticada e um símbolo mais vívido de potência e dominação. Durante o século XI, os normandos desenvolveram o uso de quillons ou guarda-mão, que também deu origem à sua ligação com a iconografia cristã (a Cruz de Cristo).
Existe um pequeno artigo sobre a história do Guarda / a espada do Guarda, com algumas das mesmas referências mencionadas acima. Eu gostaria de acrescentar alguns antecedentes mais profundos, olhando mais além da história tradicional cristã tradicional para talvez descobrir algum simbolismo adicional.
Deuses Nórdicos e Suméria
MUSPELHEIM é o lar dos Gigantes do Fogo, na religião nórdica, e Surtr é o Guardião deste mundo. Este reino é conhecido como os “Destruidores de Mundos”, e Surtr, o seu guardião, está armado com uma espada flamejante. Esta espada destaca-se na criação e destruição do mundo, devido às propriedades criativas e destrutivas do fogo. Diz-se que a espada criou o Sol, a Lua e as Estrelas, os doadores de luz no céu da Terra. Diz-se também que a espada é a morte de Freyr, que representa a paz e a fertilidade, e a espada também contribui para a destruição de Bifrost. Escrita antes da chegada do cristianismo à Islândia, a história vem da Poética Edda , especificamente da Voluspa. Secções podem também ser encontradas na Prosa Edda.
“Surtr move-se do sul, com o ferimento dos galhos: lá brilha da sua espada, o sol dos Deuses dos Mortos”.
A Edda Poética
Na antiga Suméria, o deus Asaruludu é conhecido como tendo uma “espada flamejante, garantindo a mais perfeita segurança”. Ele é conhecido como “a luz dos Deuses” e o “Deus resplandecente que ilumina o nosso caminho”. É também visto como um dos deuses que detém “o destino do homem” e foi descoberto em alguns manuscritos de encantamentos sumérios antigos. Nos textos hebraicos antigos, a espada parece estar relacionada com dois anjos – Uriel e Jophiel, ambos tendo uma importância semelhante em relação à Verdade, à Sabedoria e ao Julgamento. Além disso, de acordo com a liturgia Ortodoxa Oriental, a Espada Flamejante colocada pelos querubins sem nome, no Jardim do Éden, foi removida após a ressurreição de Cristo para que os humanos pudessem novamente entrar no paraíso.
Uma perspectiva Esotérica
A Espada Flamejante, mais popular na literatura do que talvez em uso ou facto real, parece estar simbolicamente relacionada a vários conceitos-chave, todos apropriados ao ofício do guardião da entrada do Templo. Pode representar que apenas aqueles que detêm a Verdade ou a Sabedoria podem entrar em lugares sagrados ou permanecer na presença dessa Verdade. Parece também representar o poder dessa Verdade, talvez na forma de Espírito manifestado nos reinos terrenos pelo Fogo.
À luz do fogo, parece que as impurezas podem ser queimadas para que apenas o que é “real” possa ser visto. No ritual Maçónico, o lugar do Guarda na procissão de membros indica que ele está “iluminando o caminho dos deuses” e talvez estabelecendo essa barreira, como os nórdicos acreditavam, de criação e destruição. A Espada Flamejante cria o espaço sagrado e também é a sua destruição.
As espadas também representam normalmente a força e a virtude; é um símbolo da força da mente e clareza da razão. A Espada Flamejante, com a adição do elemento fogo, indica que há uma mente viva que supervisiona as acções do universo. Esta mente viva cria o anel que não passa (the ring-pass-not), o anel circunscrito do mundo material, separando-nos do resto do universo manifestado. Extrapolado, o indica que a Loja dentro do templo, criada pela procissão do Guarda, é um universo em si: acima, tal como abaixo. Assim, o Guarda inicia o processo de estabelecer o limite energético do ritual Maçónico, bem como desconstruí-lo assim que que a reunião real da Loja é encerrada. Desta forma, o Guarda é único, já que estando separado do funcionamento do ritual, é exclusivamente responsável pelo seu início e o seu fim.
Kristine Wilson-Slack
Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:- R∴ L∴ Mestre Affonso Domingues, nº 5 (GLLP / GLRP)
- Ex Libris Lodge, nº 3765 (UGLE)
- Lodge of Discoveries, nº 9409 (UGLE)
Fonte
Estrela brilhante, rutilante, flamejante ou flamígera?
