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A Carbonária em Portugal

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✍️ Desconhecido 📅 28/03/2021 👁️ 1 Leituras

carbonária

A Carbonária tem a sua história e a sua fama. É um dos movimentos que se podem dizer universais e de processos mais correntes em todas as grandes organizações políticas, sociais e religiosas. Suscita desconfianças aqui e além. Sobre a sua actuação se tecem lendas e se adensa sobremodo o secretismo, quase o mistério, em torno dela[1].
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Sob a forma arcaica, dum romantismo irrisório, o que era melhor que nada, e talvez se não tivesse inventado melhor, a República passou a ter a sua milícia secreta[2].

Como vimos, a revolução de 5 de Outubro teve a enquadrá-la maçons, mas foi essencialmente executada pela Carbonária, já que, em geral, e pelo menos em teoria, não cabe à Maçonaria, como instituição, a execução de movimentos revolucionários.

Por outro lado, no entender de António Faria, subsiste a confusão teórica que se instalou no período da Primeira República relativamente aos “conceitos” de Maçonaria, Carbonária e republicanismo [3].

Posto isto, parece-nos importante proceder a um breve apontamento acerca do carbonarismo, bem como da sua acção em solo nacional e interacção com a Ordem maçónica.

Comecemos por apurar quais as origens da Carbonária.

Não oferece hoje dúvida que a Carbonária Italiana serviu de figurino à Carbonária Portuguesa. Efectivamente, foi em Itália que nasceu a Carbonária, também chamada Maçonaria Florestal, onde a primeira foi recolher os seus princípios.

Segundo alguns autores, esta associação secreta remonta ao século XIII, época em que apareceram em Itália os primeiros carbonários, ligando-se à continuação das lutas que se haviam travado na Alemanha entre os Guelfos, partidários do Papa e os Gibelinos, partidários do imperador. Aqueles não queriam a interferência de estrangeiros nos destinos de Itália; estes, defendiam o poder do império germânico. A luta durou até ao século XV. Os Guelfos reuniam no interior das florestas, nas choças dos carvoeiros, daí a designação de carbonários (“carbonaro” = carvoeiro) [4]. No entanto, outros autores situam a origem desta sociedade secreta em épocas mais recentes.

A verdade é que foi, sem dúvida, em Itália que a Carbonária ganhou contornos, consubstanciada com o aparecimento da “Jovem Itália” de Mazzini, fundada em 1831, em Marselha. No entanto, apesar dos esforços de Garibaldi, Cavour e Mazzini, a Carbonária não conseguiu proclamar a República. Ainda assim, dois enormes trunfos foram alcançados: a unificação da Itália e a abolição do poder temporal do Papa.

No que ao nosso país diz respeito, não obstante o secretismo da organização e o “desaparecimento” de muita documentação relevante acerca da sua acção e funcionamento, é hoje possível encontrar escritos interessantes e algo desenvolvidos sobre a Carbonária e as várias fases que atravessou, nomeadamente os da autoria de Joel Serrão [5], Borges Grainha [6], Fernando Catroga [7], José Brandão [8] e António Ventura [9], entre outros. Não podemos igualmente ignorar a informação disponibilizada na web, oriunda de fontes credíveis. E, como valioso testemunho, embora com uma visão pouco imparcial, da actividade carbonária na época da Primeira República, indicamos a consulta de um artigo firmado pelo jornalista inglês F. Britten Austin, publicado ao longo de vários números da revista ABC [10].

Deste modo, acerca da evolução da Carbonária em Portugal, verificámos que, inicialmente, Fernandes Tomás, José Ferreira Borges, Borges Carneiro e Silva Carvalho, entre outros, fundaram, em 1818, uma sociedade secreta (uma pequena Carbonária) a que chamaram Sinédrio, que preparou e fez eclodir a revolução liberal de 1820. Depois, em 1828, um reduzido número de estudantes da Universidade de Coimbra organizou um núcleo secreto, de cariz carbonário, sob a designação de “Sociedade dos Divodignos”, com a finalidade de combater a monarquia absoluta de D. Miguel. A 29 de Maio de 1848, fundou-se em Coimbra a Carbonária Lusitana. Foi seu “patrono” António de Jesus Maria da Costa, um padre anti-jesuíta, de nome simbólico Ganganelli. Por volta de 1850 – 1851, teve sede em Lisboa uma Carbonária com o nome de “Portuguesa”, dividida em secções chamadas choças, ou “lojas-carbonárias”. Pela segunda metade do século XIX, surge em Portugal a Maçonaria Académica, que irá transformar-se em Carbonária. As Lojas Independência, Justiça, Pátria e Futuro passaram a Choças, sendo os seus membros divididos em grupos de vinte. Cada um desses grupos ou choças adoptou um nome diferente. Foram assim criadas vinte choças, presididas por uma Alta Venda provisória.

Em breve, esta Carbonária foi integrada por elementos populares que foram sendo iniciados na antiga rua de S. Roque, 117, último andar, em Lisboa, sede provisória da Carbonária Portuguesa. A primeira Choça popular teve o nome República, seguindo-se-lhe a Marselhesa, a Companheiros da Independência, a Mocidade Operária e a Amigos da Verdade, entre outras.

As diferentes secções da Carbonária tinham as seguintes denominações: Choças, Barracas, Vendas e Alta Venda. Os bons primos, que pertenciam às Choças, possuíam os graus primeiro e segundo (Rachadores e Carvoeiros) e eram presididos por um carbonário decorado com o terceiro grau: o de Mestre. Às Barracas e Vendas só pertenciam os Mestres, presidentes dum certo número de Choças ou Barracas.

Com efeito, tanto a Carbonária Lusitana (antiga e moderna) como a Carbonária Portuguesa, foram geradas no seio dos estudantes universitários. Na Carbonária encontravam-se primos de todas as classes sociais: médicos, engenheiros, advogados, professores de todos os ramos de ensino, estudantes, oficiais e sargentos das forças armadas, funcionários públicos, proprietários, lavradores, administradores de concelho, actores, lojistas, comerciantes, polícias, operários, etc.. Havia de tudo, de Norte a Sul do País. No Algarve, os núcleos mais importantes encontravam-se em Silves, Faro e Olhão. O seu rosto visível – embora o não fosse aos olhos de profanos – eram os centros republicanos.

Havendo já bastantes Mestres, fundou-se a Venda Jovem Portugal. A Loja maçónica Montanha, fundada por bons primos, foi o veículo da Carbonária dentro da Maçonaria. Seguiram-se-lhe outras Lojas maçónicas com o mesmo pendor.

Os carbonários ou bons primos, tratavam-se por tu e davam-se a conhecer por meio de sinais de ordem, senhas, contra-senhas, apertos de mão e cumprimentos especiais com o chapéu. Usavam distintivos e possuíam armas de fogo. Os rachadores e os carvoeiros usavam uma folha de carvalho na lapela; os mestres, cintos com as cores do seu grau em aspa, e punhal; os mestres sublimes usavam além do cinto, um colar de moiré e com as cores carbonárias do último grau, tendo pendente um pedaço de carvão cortado em aspa; o símbolo solar com trinta e dois raios, era o distintivo superior da Ordem, sendo unicamente usado nas várias sessões magnas pelo Grão-Mestre. A estrela de cinco pontas representava o bom primo [11].

Somente o Grão-Mestre Sublime e a Alta Venda conheciam toda a organização sem desta serem conhecidos, o que garantia o secretismo desta organização, reforçado pela rígida hierarquia e pelo ritual iniciático que contemplava o uso de balandraus e de capuzes, caveiras, tíbias, etc..

Desde a sua criação até ao seu fim, a Carbonária Portuguesa teve oito Altas Vendas, tendo sido seu Grão-Mestre em todas elas, Luz de Almeida. De todas, a mais importante foi a sexta, pois foram os seus elementos que participaram decisivamente no 5 de Outubro de 1910, na ausência de Luz de Almeida, então exilado em França.

As iniciações tinham lugar em alguns Centros Republicanos (onde, aliás, se encontrava grande parte dos bons primos), mas de preferência em escritórios e casas particulares, quando temporariamente desabitadas, ou ainda, em armazéns, caves e até em cemitérios a altas horas da noite. Os que presidiam às iniciações vestiam-se de balandrau com orifícios no capuz. O venerável carbonário que presidia era assistido pelos seguintes bons primos: primeiro secretário (primo Olmo); o segundo secretário (primo Carvalho); o primeiro vogal (primo Choupo) e o segundo vogal (guarda externo). Era a este último que incumbia o secretismo das sessões, alertando ao mínimo movimento suspeito nas imediações. O neófito era vendado à entrada pelo bom primo Choupo, depois do interrogatório e após o juramento, no caso de ser aceite assinava o seu compromisso de honra, muitas vezes com o próprio sangue, como se segue: “juro pela minha honra de cidadão livre guardar absoluto segredo dos fins e existência desta sociedade, derramar o meu sangue pela regeneração da Pátria, obedecer aos meus superiores e que os machados dos rachadores de cada canteiro se ergam contra mim se faltar a este solene juramento”. Quanto ao bom primo Carvalho, lia os estatutos, em que referia que:

(…) os associados deviam obedecer cegamente às ordens que lhes fossem dadas; guardar segredo tão absoluto que nem às próprias famílias podiam revelar tudo quanto se passasse nas assembleias; que deviam ser astuciosos, perseverantes, intrépidos, corajosos, solidários, destemidos e valentes (…)“.

Era também terminantemente proibido aos bons primos pertencerem a qualquer outra “organização política de carácter mais ou menos secreto, salvo à Maçonaria” [12], aspecto que, ousamos dizer, fala por si.

Com a revolução triunfante, a Carbonária dissolve-se em bandos e clientelas políticas, sobretudo na busca de empregos, desfazendo-se assim, o espírito igualitário e fraterno cimentado por anos de luta [13].

Em suma, e de acordo com Joel Serrão [14], como em quase toda a parte, também em Portugal a Carbonária foi muitas vezes uma associação paralela à Maçonaria, embora nem todos os maçons fossem carbonários.

Enquanto sociedade secreta, essencialmente política, adversa ao clericalismo e às congregações religiosas, e tendo por objectivo as conquistas da liberdade e a perfectibilidade humana, a Carbonária impunha que os seus filiados possuíssem ocultamente “(…) uma arma com os competentes cartuchos”, comprada a expensas próprias [15], ao mesmo tempo que contribuía directa e indirectamente para a educação popular e assistência aos desvalidos.

Como vimos, no seio da Carbonária havia uma hierarquia própria, em certos aspectos semelhante à da Maçonaria, e os seus filiados tratavam-se por bons primos. Estes recebiam treino militar e defendiam o recurso às armas. Os centros de reunião e aglomerações de associados chamavam-se, por ordem crescente de importância, “choças”, “barracas” e “vendas”, sendo que a chefia competia à “Alta Venda”. A Carbonária Portuguesa, à qual pertenceram pessoas da mais elevada categoria social, parece ter sido estabelecida em 1822 (ou 1823) por oficiais italianos que procuravam, por meio de sociedades secretas, revolucionar toda a Europa Meridional. Até 1864 a sua intervenção fez-se sentir em muitos momentos críticos da vida nacional, pois todos os partidários políticos possuíam a sua carbonária. Depois de longo marasmo, desapareceram completamente.

Todavia, a indignação nacional suscitada pelo afrontoso ultimato da Inglaterra (1890) e as desastrosas consequências da revolta de 31 de Janeiro de 1891, com o seu cortejo de prisões, deportações e perseguições de toda a espécie, arrastaram a mocidade académica para as sociedades ditas secretas. É neste contexto que surge, em 1896, a última Carbonária portuguesa, divergindo das suas antecessoras, tanto ao nível da organização, como do ritual, e até dos processos de combater [16]. Foi seu fundador o Grão-Mestre Artur Duarte Luz de Almeida (1867-1939). A sua influência exerceu-se de maneira intensiva em quase todos os acontecimentos de carácter político-social ocorridos no país, nomeadamente naqueles que tinham em vista defender as liberdades públicas ameaçadas e combater o poderio do clero.

Segundo o modelo italiano, a organização terá mobilizado cerca de trinta mil primos, dois quais apenas cerca de quatrocentos caíram nas malhas da polícia entre 1908 e 1910. Com o governo de João Franco, a Carbonária deu um salto mobilizador que lhe permitiu atingir cerca de dez mil membros, com oito mil em Lisboa e cerca de dois mil na margem Sul, ao mesmo tempo que admitia a integração de anarquistas e promovia a constituição de uma “artilharia civil” com várias oficinas dedicadas ao fabrico de bombas. Em 1909, a organização, apoiada pelo próprio Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, lançou-se na “catequetização” de quartéis, nomeadamente pela difusão d’ A Cartilha do Cidadão – Diálogo entre o Médico Militar Ribeiro e o João Magala, da autoria de Luz de Almeida, tendo obtido apetecidos frutos de aliciamento [17].

Tendo participado ostensivamente nos preparativos do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, que abortou, a acção da Carbonária, também vulgarmente conhecida na época por “canalha” e entendida por Sampaio Bruno como a “esperança da Pátria” [18], viria a tornar-se decisiva para a queda da Monarquia, mais acentuadamente a partir de 14 de Junho de 1910, quando, com o intuito de apressar a Revolução (em perigo pelo número crescente de civis presos e militares transferidos), a Maçonaria nomeou uma Comissão de Resistência encarregada de coadjuvar a implantação da República por meio de uma colaboração mais activa entre irmãos e bons primos, conforme veremos adiante.

Posteriormente, a fragmentação do Partido Republicano, sobrevinda ao advento do novo Regime político nacional, tornou inevitável a extinção da Carbonária portuguesa, tendo-se revelado infrutíferas todas as tentativas feitas para o seu ressurgimento até 1926.

Por seu turno, Oliveira Marques [19] sublinha que a Carbonária apresentava características genuinamente populares. Nela estavam filiadas dezenas de milhar de pessoas, de todas as classes sociais, desde camponeses e operários até bibliotecários e intelectuais, passando por soldados e marinheiros. Segundo o autor, enquanto a Maçonaria era mais elitista, pela dificuldade de compreensão do seu ideal e do seu rito, bem como pelas provas e exigências morais que prescrevia, a Carbonária era, por assim dizer, acessível a todos e a todos acolhia, desde que lhes encontrasse ânimo e crença republicana [20].

Sucede, porém, que o carbonário do 5 de Outubro – e nele está espelhada a grande massa da população portuguesa de então – era pouco instruído e pouco evoluído politicamente. Seguia com devoção os seus chefes, idolatrava-os, papagueava os seus slogans, chegando a dizer e repetir palavras que nem sequer entendia. Para ele, como aliás para muitos republicanos já mais instruídos, a República era o Messias, era o milagre, bastando a sua proclamação para libertar o País de toda a injustiça e de todos os males; era como que uma nova religião. Muitos interpretavam, errónea e abusivamente, as promessas feitas pelos dirigentes republicanos durante a fase da propaganda, supondo que poucos meses ou até dias depois de proclamado o novo Regime estariam resolvidos todos os problemas económicos, sociais e políticos: os pobres seriam ricos, os empregados, patrões, os subalternos, dirigentes. Para esses, infelizmente a grande massa, República foi sinónimo de desilusão. Deles iria sair a matéria­-prima para futuras querelas e revoluções intestinas, para aventuras demagógicas do pior estofo, para o derrubar final do Regime que haviam ajudado a implantar e no qual haviam perdido a fé.

Já o irmão António Arnaut salienta que a Carbonária é uma criação da Maçonaria, ou melhor, de maçons radicais, embora incluísse muitos profanos, destacando, entre os seus membros, Luz de Almeida, Bissaya Barreto e Aquilino Ribeiro, todos maçons [21].

Na verdade, a Carbonária e os seus métodos pouco “ortodoxos” continuam a inspirar sentimentos de diversa ordem e declarações que, por vezes, denotam um toque de ironia. Atentemos, por exemplo, nas palavras de Ana Sá Lopes, no artigo provocatoriamente intitulado “Filhos da Carbonária”:

Cavaco Silva lançou um aviso curioso sobre a comemoração do centenário da República: ‘não cabe ao Estado patrocinar versões oficiais ou oficiosas da História’. Para o Presidente, ‘as comemorações não devem servir de pretexto para dividir os portugueses em torno de polémicas velhas de décadas, destituídas de sentido no nosso tempo’. Cavaco Silva ficou-se por aqui e não concretizou quais as ‘polémicas velhas de décadas’ que não quer ver a ‘dividir os portugueses’. A comissão liderada por Vital Moreira fica, desde já, sob vigilância presidencial: Cavaco prometeu ontem que fiscalizará cuidadosamente se o Estado acaba ou não ‘a patrocinar versões oficiais ou oficiosas da História’. É duvidoso que a República ainda hoje se preste a um conflito histórico-político do género do que acontece em Espanha, a propósito da Lei de Memória Histórica e da guerra civil. A principal dicotomia (República – Monarquia) não existe, ou quase não existe. A ‘bondade intrínseca’ do Regime republicano tem vindo a ser posta em causa por vários historiadores e dificilmente causará qualquer ‘cisma’ nacional. É provável que o país já consiga conviver tranquilamente com a génese do Regime, filho legítimo do terrorismo da Carbonária (é à força da Carbonária que se deve a implantação da República, e não aos discursos do institucional Partido Republicano Português, que se manteve mais ou menos à margem da revolução do 5 de Outubro).
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A Carbonária (a nossa mãe) não era propriamente recomendável – era uma organização terrorista. Agora, foi aos pés de um dos seus homens – Machado Santos, herói e vítima da República, que se barricou na Rotunda até a monarquia cair – que devemos o sucesso do 5 de Outubro. Foi com a Carbonária que o famoso (porque todas as cidades do país lhe dedicaram uma rua) Almirante Cândido dos Reis preparou a revolução – que não viu vencer porque, sem comunicações com a Rotunda, e convencido de que os revoltosos tinham sido derrotados, se suicidou nesse 5 de Outubro. Deve ser por causa do terrorismo carbonário que o PR está preocupado com as ‘divisões entre portugueses’. Mas pode-se sempre não falar nisso[22].

Liliana Raquel Rodrigues Fernandes

Nota

Este texto integra uma excelente dissertação apresentada por Liliana Raquel Rodrigues Fernandes à Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Estudos Portugueses.

Dada a sua extensão, os diversos capítulos serão publicados autonomamente, incluindo-se sempre o link para a totalidade do trabalho.

Notas

[1] Raúl Rêgo, no prefácio a BRANDÃO, José, Carbonária – O Exército Secreto da República. Lisboa, Publicações Alfa, S.A., 1990, p. 9.

[2] RIBEIRO, Aquilino, Um Escritor Confessa-se. Memórias. Lisboa, Livraria Bertrand, 1972, p. 222.

[3] Cf. FARIA, António, O Cilindro de Crísipo – Maçonaria e Política. Col. Documenta Histórica. Lisboa, Nova Vega, 2006, p. 28.

[4] A título de curiosidade, refira-se que foram os carbonários os inventores do famoso prato a que chamamos “esparguete à carbonara”. Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Carbon%C3%A1 ria.

[5] Vide SERRÃO, Joel, Da “Regeneração” à República. Col. Horizonte Histórico. Lisboa, Livros Horizonte, 1990, p. 170 – 221.

[6] Vide GRAÍNHA, Manuel Borges, História da Franco-Maçonaria em Portugal 1733 – 1912. Col. Janus, 4a ed.. Lisboa, Vega Lda., s. d., p. 135 – 143.

[7] Vide CATROGA, Fernando, O Republicanismo em Portugal – da Formação ao 5 de Outubro de 1910. 2a ed.. Editorial Notícias, s. d., p. 88 – 233.

[8] Vide BRANDÃO, José, Carbonária – O Exército Secreto da República. Lisboa, Publicações Alfa, S.A., 1990.

[9] Este último realiza um estudo pormenorizado acerca da Carbonária em Portugal entre 1897 e 1910, apresentando inclusivamente documentação importante em anexo. Vide VENTURA, António, A Carbonária em Portugal – 1897-1910. Lisboa, Livros Horizonte, 2004.

[10] AUSTIN, F. Britten, “A mão oculta em Portugal – A carbonaria secreta, cuja influencia misteriosa se tem feito sentir em todas as revoluções portuguesas”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 350. Lisboa, 31 de Março de 1927, p. 19 – 21.

_____, “Os segredos da Carbonária”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 351. Lisboa, 7 de Abril de 1927, p. 21.

_____, “Os segredos da Carbonária – As origens da Carbonária em Portugal: As Primeiras Carbonárias Portuguesas – O assassínio dos lentes no Cartaxinho – Quem eram os «Divodis» ou «Divodignos» – Uma cilada no descampado – A seita e os seus crimes – O assalto ao dinheiro dos assassinados – Carbonária e Grande Oriente – Um Padre carbonário – Iniciações no Cemitério dos Prazeres – A Carbonária do Além – Luz de Almeida e as sociedades secretas – Os homens dos balandraus”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 353. Lisboa, 21 de Abril de 1927, p. 10 – 11.

_____, “Os segredos da Carbonária – As origens da Carbonária em Portugal: A seita e os seus crimes – O assalto ao dinheiro dos assassinados – As forcas do Cais do Sodré – Os mistérios da Maçonaria – Carbonária e Grande Oriente – Um Padre carbonário – Os Grã-Mestres maçónicos – Iniciações no Cemitério dos Prazeres – A Carbonária do Além”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 354. Lisboa, 28 de Abril de 1927, p. 18 – 19.

_____, “Os segredos da Carbonária – As origens da Carbonária em Portugal: Um carbonário na vala comum – Onde aparece uma Carbonária de estudantes – As secções «Futuro e Justiça» – Luz de Almeida e as sociedades secretas”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 355. Lisboa, 5 de Maio de 1927, p. 14 – 15.

_____, “Os segredos da Carbonária – Da Carbonária dos idealistas ao início da acção terrível: Os segredos da associação secreta – Máscaras e balandraus – Uma amante do secretário de Alpoim e as bombas do Carrião – A explosão da bomba do Castelo e os seus cúmplices – Protectores dos bombistas”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 357. Lisboa, 19 de Maio de 1927, p. 14 – 15.

_____, “Os segredos da Carbonária – Da Carbonária dos idealistas ao início da acção terrível: Intervenção dos republicanos na Carbonária – Os idealistas carbonários – Opiniões do comerciante Grandella – Os chefes da Alta Venda – Onde se fala do crime de Cascais”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 358. Lisboa, 26 de Maio de 1927, p. 14 – 15.

_____, “Os segredos da Carbonária – Grandesa e decadência da Carbonária: O assassínio de Nunes Pedro – Os autores e os cúmplices – Como se cala um denunciante – O crime da Carbonária”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 359. Lisboa, 2 de Junho de 1927, p. 14 – 15.

_____, “Os segredos da Carbonária – Grandesa e decadência da Carbonária: A Carbonária e o fabrico de bombas – Comerciantes agentes de destruição – Os denunciantes carbonários – Fuga de Luz de Almeida – Mais provas carbonárias”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 360. Lisboa, 9 de Junho de 1927, p. 14 – 15.

_____, “Os segredos da Carbonária – Grandesa e decadência da Carbonária: Como se desmoronava a Carbonária – Nomes e profissões de alguns denunciantes e denunciados – Singularidades da associação secreta”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 361. Lisboa, 16 de Junho de 1927, p. 10 – 11.

_____, “Os segredos da Carbonária – Grandesa e decadência da Carbonária: Como se desmoronava a Carbonária – Nomes e profissões de alguns denunciantes e denunciados – Singularidades da associação secreta”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 362. Lisboa, 23 de Junho de 1927, p. 14 – 15.

_____, “Os segredos da Carbonária – Como ela se desmoronava – Nomes e profissões de alguns denunciantes e denunciados – Singularidades da associação secreta”, in: ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 363. Lisboa, 30 de Junho de 1927, p. 16.

[11] São notórias as semelhanças entre as simbologias maçónica e carbonária. Por exemplo, no que concerne ao triângulo, tão utilizado em abreviaturas nos documentos escritos, os maçons usam três pontos dispostos em forma de triângulo, com o vértice para cima, enquanto que os carbonários recorrem ao mesmo sistema, simplesmente invertendo o vértice.

[12] ABC – Revista Portuguesa. Ano VII – N° 357. Lisboa, 19 de Maio de 1927, p. 14 – 15.

[13] Cf. http://sopadenabos.blogspot.com, onde é possível encontrar vasta informação sobre o carbonarismo, inclusivamente rituais e juramentos diversos.

[14] Cf. SERRÃO, Joel, Dicionário de História de Portugal, 4 vols., (ed. lit.), 1a edição, Vol. I. Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1963-1971, p. 481 – 482. Vide http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/! g ferreira/carbonar.html.

[15] Cf. GRAÍNHA, Manuel Borges, História da Franco-Maçonaria em Portugal 1733 – 1912. Col. Janus, 4a ed.. Lisboa, Vega Lda., s. d., p. 135.

[16] Em Portugal, a Carbonária foi estabelecida por volta de 1822 – 1823. Nas suas primeiras décadas, teve um âmbito restrito e, sobretudo, localizado: surgiram várias associações independentes, sem ligação orgânica entre si e com pouca capacidade de intervenção social. De modo geral, estas associações não duraram muito tempo nem tiveram realce histórico. Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Carbon%C3%A1ria.

[17] Cf. http://www.iscsp.utl.pt/cepp/indexfro1.php3?http://www.iscsp.utl.pt/cepp/regimes politicos/crepusculo da monarquia 1900-1910 1.htm.

[18] Cf. BRANDÃO, José, Carbonária – O Exército Secreto da República. Lisboa, Publicações Alfa, S.A., 1990, p. 16.

[19] Cf. MARQUES, A. H. de Oliveira, Ensaios de História da I República Portuguesa. Lisboa, Livros Horizonte, 1988, p.36.

[20] Machado Santos reconhece também que a Maçonaria não era “para todos os bolsos”. Cf. BRANDÃO, José, Carbonária – O Exército Secreto da República. Lisboa, Publicações Alfa, S.A., 1990, p. 16.

[21] Cf. ARNAUT, António, Introdução à Maçonaria. 5a ed.. Coimbra Editora, 2006, p. 69 – 70.

[22] LOPES, Ana Sá, “Filhos da Carbonária”, in Diário de Notícias, Sexta-feira, 6 de Outubro de 2006. Vide http://jacarandas.blogspot.com/2006/10/filhos-da-carbonaria.html.

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