Freemason

A cadeia de união

Compartilhar:
✍️ Desconhecido 📅 04/01/2026 👁️ 0 Leituras

cadeia de união

Em Março de 1999 encaminhei para os três Grão Mestres de Santa Catarina, correspondência sugerindo a criação da Cadeia de União Integrada, ou seja, em comum acordo, a cada mês, seria encaminharia para todas as lojas uma mensagem, um mantra. Todas as lojas que se reúnem na segunda-feira, obedecendo rigorosamente o horário determinado, fariam uma Cadeia de União, concentrando-se na mensagem que foi distribuída. O mesmo com as lojas que se reúnem na terça, na quarta, na quinta e na sexta-feira. No final do mês, nova mensagem seria distribuída para o mês seguinte e assim sucessivamente.

Esta sugestão foi apenas cópia de um comportamento existente entre outras organizações, afinal, todos os elementos que o processo de dissolução do mundo profano liberara, são atraídos, um a um, para a órbita do processo iniciático. Precisamente porque o produto coexistente, entre os elementos que constituem a estrutura maçónica, persistem no aprimoramento do homem. E isto se deve à necessidade resoluta, de que a Maçonaria deva existir antes, para que a sociedade possa desenvolver o espírito democrático a partir da socialização dos seus princípios.

E a Maçonaria possui um elemento-chave, dissociado de preconceitos ou prosélitos destituídos de qualquer princípio dialéctico: A CADEIA DE UNIÃO. Nela reside a força, a beleza, a harmonia. E para sentirmos tal estado de satisfação, temos de nos conscientizar de que isto não é uma qualidade, mas um estado de amor. E quando cessa este estado, surge o conflito. Krisnamurti já dizia que

o amor não é uma coisa a ser cultivada. O amor, assim como a humildade, não pode ser construído pela mente. Só o vaidoso tenta ser humilde, só o orgulhoso procura conter o seu orgulho pela prática da humildade, o que ainda é uma acto de vaidade.

Mas isto é uma virtude e a verdadeira Maçonaria, exige que a virtude seja reprimida, enquanto ilusória ao nosso comportamento.

Todo Maçom possui um carácter ideológico, cuja origem e evolução, prescreve a ordem sistemática da alocação de critérios, dentro de uma super estrutura que se eleva acima das bases ideológicas profanas. E este carácter ideológico, que não é certamente dominante, mas estruturado na verdade, possui a sua origem nas relações sociais reais, prescritas nas leis reguladoras do equilíbrio universal. O limites que separam a Maçonaria do mundo profano, contém elementos muito próximos, os quais, com propriedade, nos conduzem à necessidade do conhecimento, pois é necessário, a conscientização da liberação das influências que possam comprometer a nossa compreensão e mesmo o nosso próprio comportamento.

Na cerimónia de iniciação, passamos por dois estágios de significativa beleza, seriedade e significado. O primeiro, quando o Venerável Mestre determina: FAÇA-SE A LUZ. A simbologia deste momento alcança tamanha amplitude, que a sua total compreensão se delimita aos sábios, aos grandes mestres, aos quais reverenciamos a nossa humildade, a nossa natureza imperfeita, que submetendo ao prazer das nossas emoções, pelo menos tentamos compreender que o nosso mergulho em crenças e rituais são necessárias ao nosso equilíbrio.

Neste momento, ao deixar cair as vendas dos seus olhos, ele está se transformando em mais um elo da grande Cadeia de União Universal. Passa a ser mais um integrante da grande corporação que lhe propicia um estado de espírito que, a despeito da religião que pratica, sentidos ou razão, tende a alcançar estados de aprimoramento que só ele, ele mesmo, poderá julgar. E neste ponto, concebendo o inconcebível ou tentando expressar o inexprimível, tal qual uma aspiração ao infinito, ele mostra-se a si mesmo, o seu poder do comprometimento, como já dizia Goethe:

“Enquanto não estivermos compromissados, haverá hesitação, a possibilidade de recuar, e sempre, a ineficácia. Em relação a todos os actos de iniciativa, e de criação, existe uma verdade elementar – cuja ignorância – mata inúmeros planos e ideias esplêndidas: que no momento em que definitivamente nos compromissamos, a providência divina também se põe em movimento”.

Todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, que em outras circunstâncias nunca teriam ocorrido. Todo um fluir de acontecimentos: formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda material, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar no seu caminho, surge a nosso favor, como resultado da decisão.

Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar. A coragem contém em si mesma, o poder, o génio e a magia.

A Cadeia de União, que no nosso Regulamento Geral é citada apenas para a transmissão da Palavra Semestral, na verdade é a grande arma da Maçonaria, talvez a maior. “Oh! Como é agradável aos irmãos quando estão unidos”, disse o salmista e assim, prescrevemos o nosso comportamento cada vez que nos reunimos. Mas lembremo-nos que este princípio, não deve ser aplicado apenas em Loja. O agradável viver em união está no nosso lar, no nosso trabalho, no nosso lazer e para isso, temos de vencer, em primeiro lugar, paixões desagrega- doras às quais, queiramos ou não, sempre estamos sujeitos.

Cada igreja, cada seita, cada organização religiosa, possui a sua cadeia de união. Posso citar aqui a celebração da Sagrada Eucaristia, chamada por Missa. É uma energia real que se difunde há séculos em todas as partes do mundo e, como diz Leadbeater

“o plano está tão admiravelmente disposto, que nem a atitude do sacerdote nem o seu conhecimento, nem ainda o seu carácter, interferem na real eficácia do sacramento… os que o recebem, desfrutam do adicional benefício de participar do seu amor e devoção, sem que isto afecte em nada o valor do sacramento em si, pois quaisquer que sejam os defeitos do sacerdote, a energia divina se derrama sobre os fiéis.”

No Génesis, encontramos dez regras que estabelecem, a pleno rigor, o padrão de comportamento ideal para toda a humanidade. Entretanto, a conveniência, o interesse, a ambição, o estabelecimento das diferenças sociais e económicas, enfim todo esse emaranhado, quando perscrutado e com o rigor do bom senso, percebemos a necessidade do cumprimento de uma lei, imposta por uma acção determinante da necessidade de domínio, ou seja o rigor da obediência estabelecida pelo poder, pela determinação de preconceitos diferenciais. E assim, percebemos a necessidade de que, para se obter, mediante súplicas a um simples favor, é necessário e fundamental a conscientização de que o pedinte está sempre abaixo do doador. E aqui, neste ponto, manifestam-se os conceitos maçónicos. O pedinte, Maçom, dirige-se ao doador, também Maçom, prestador de algum serviço. O doador, se Maçom, de facto e de direito, transgride esta diferenciação. Iguala-se, absorve o sentimento de necessidade, presta o seu serviço, a sua colaboração, a sua participação. Mesmo que necessário seja o pagamento, pois dele depende o seu sustento. Não é um favor, mas sim um actividade participativa da corporação. Mas se a dissociação for impossibilitada pela vaidade, pelo esforço futilizado, então os conceitos, transgressores dos nossos princípios são aviltados. Este é um exemplo da ordem maçónica preservando a Cadeia de União pois caso contrário ficará diluída através de princípios, arraigados a uma disciplina amainada pela congruência entre conforto e vaidade.

Também noutros momentos, à simples ocorrência de acções involuntárias, ou mesmo preconcebidas por uma disposição, a satisfazer distorções do seu próprio ego; ou àquelas acções, evidenciadas pela transcendência, idealizada por um desejo supremo, ao sabor do triunfo da ordem, onde poderá haver até mesmo, o comprometimento da estabilidade, seja emocional de um irmão, seja do próprio conjunto, se observado a prática do jogue a primeira pedra, caríssimos irmãos, a Cadeia de União está com um elo danificado.

O segundo momento sagrado da Iniciação, está no juramento. Os irmãos já pararam para pensar e avaliar o momento do juramento numa iniciação?

Um homem, por sua livre e espontânea vontade, ajoelhado perante uma assembleia, jura solenemente cumprir uma promessa. Há que ser feita uma profunda avaliação deste comportamento. O neófito penetra nos seus estados de consciência mais profundos. A sua imaginação e a sua própria identificação desprendem-se, soltam-se e ficam a mercê da repetição voluntária de um juramento. Ele toma consciência de si mesmo e o seu centro intelectual, a sua energia cósmica e a sua consciência divina, extasiam-se diante de uma formalidade, que deverá mudar a sua vida para sempre.

E isto porque neste momento, ele ingressou num templo, através da Cadeia de União, que o uniu com todos os maçons, com todos os irmãos.

Retoma para acção quotidiana procurando, sintomaticamente, influenciar a sua conduta pela exposição de exemplos de virtude e vício, cujos recursos que vertem do seu coração e sentimento, regulam o seu comportamento social e familiar. E como consequência, assume uma postura analista e parte para a investigação do seu verdadeiro estado comportamental diante dos seus irmãos, da família e da sociedade. E neste campo investigável, ao assumir e aceitar todos os maçons como irmãos, ao iniciar os seus primeiros passos na Cadeia de União Universal, quando observa que o todo sempre é maior que as suas partes ou como já dizia Descartes que as proposições podem ser descobertas pela mera operação do pensamento, sem dependências daquilo que exista em algum lugar do universo, então, poderá verificar ou demonstrar que não apenas as ideias possuem a sua verdade determinada pela intuição. Poderá verificar que o nosso pensamento, céptico ou não, se une através desses elos em cadeia e que é sempre possível, obter-se conhecimento através das próprias leis associativas entre o bem e o mal, entre o vício e a virtude.

A Cadeia de União, não pode se prender às leis da probabilidade mas sim nas leis da certeza. A certeza da busca da verdade através do conhecimento que é uma constante universal e a ela reverenciamos. Na Cadeia de União Universal, por mais que se queira encontrar um espaço entre dois elos, por menor que se queira, sempre encontraremos um ou mais factores lógicos e convergentes a um ideal comum.

Dois elos portanto, jamais poderão separar-se pois se tal viesse a acontecer, a Cadeia estaria comprometida na sua continuidade facto este compensado pela lei da sincronicidade ou seja a convergência natural entre pessoas, factos e necessidades. E que hoje, mais do que nunca, manifesta-se através do poder energético que mantém uma conexão necessária á estabilidade do nosso equilíbrio.

Todas as religiões se estruturam em torno de algum sacrifício que significa “ficar sagrado”. E na cerimónia de iniciação, por duas vezes o Venerável Mestre cita esta palavra, dirigindo-se ao neófito.

O sacrifício que faz parte da compreensão cultural dos maçons, essencial no Ritual de Iniciação, consagra a nossa Aliança Sagrada, a nossa Cadeia de União Universal.

Na verdade, este assunto, possui uma amplitude filosófica, mística e esotérica de tal envergadura, haja vista o significado e conceitos ele aplicados, que impõe uma dificuldade quase ilimitada, para chegar-se a um fim.

Deixo portanto o trabalho incompleto, a mercê das suas reflexões.

Autor: Pedro Moacyr Mendes de Campos, Loja Acácia do Continente, nº 2014

Fonte

  • Revista O PAINEL – Fundação UNITAS – ARLS Acácia do Continente nº 2014 (GOB)

Artigos relacionados

Sugestões de Estudo