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A abóbada celeste no REAA

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✍️ Desconhecido 📅 27/04/2026 👁️ 0 Leituras
abóbada celeste
Abóbada celeste

Rituais do REAA

Ritual de 1804

“A Loja tem a forma de um quadrado longo, se dirigindo de oeste para leste, arredondada ao fundo, recoberta de uma abóbada, onde estão espalhadas estrelas sem nome,”

Ritual de 1904

“o tecto figura uma abóbada azulada, com estrelas formando um grande número de constelações.”

Ritual de 1927 (Mário Behring)

“O tecto do Templo representa o céu. Do lado do Oriente, um pouco…. No centro do tecto, três estrelas da constelação de Oríon. Entre estas e o nordeste, ficam as Plêiades, Hyadas e Aldebaran; a meio caminho, entre Oríon e o nordeste, Regulus, do Leão; ao Norte, a Ursa Maior; a Noroeste, Areturus (em vermelho); a Leste, a Spica, da Virgem,; a Oeste, Antares; ao Sul, Fomalhaut. No Oriente, Júpiter,; no Ocidente, Vénus; Mercúrio, junto ao Sol e Saturno, com os seus satélites, próximo a Oríon.

As estrelas principais são: 3 de Oríon; 5 Hyadas e 7 das Plêiades e Ursa Maior. As estrelas chamadas reaes são: Aldebaran, Arcturus, Regulus, Antares e Formalhaut.”

Introdução

A Abóbada Celeste com os seus astros e estrelas tem a função mística destinada a produzir energia e contemplação.

Assim, o tecto do templo maçónico é confeccionado em forma de abóboda ou céu com a cor azul-celeste predominante na qual figuram os astros e as estrelas que mais ferem a imaginação do homem. Sabemos que, normalmente, o céu é escuro, sendo o tom de azul o efeito da luz do sol, por isso com o movimento de rotação da terra temos o dia e a noite. Convém salientar que não são quaisquer astros ou qualquer disposição, mas sim determinados astros e numa posição previamente estudada e preparada.

A palavra céu vem do latim “caelum” ligado também ao ar, espaço livre, atmosfera. Na verdade o céu é a parte física que vemos, e o firmamento do latim “firmamentum”, onde pela nossa crença de cada um, imaginamos ser a morada dos deuses e anjos.

A abóbada celeste nos templos maçónicos

Cada astro e estrela, uniformemente dispostos na abóbada celeste, representam funções e possuem valores místicos próprios, sendo que, no templo destinado à pratica do REAA existem 35 (trinta e cinco) astros, cuidadosamente escolhidos, colocados em posição geométrica apropriada, os quais regem os cargos em Loja.

  1. SOL – A luz do céu da Loja, representando o Venerável Mestre. Colocado no oriente e no eixo da Loja.
  2. LUA – Selene rege o Primeiro Vigilante.
  3. STELLA PITAGORIS – A estrela Virtual ou Estrela Flamejante, colocada sobre o altar do Segundo Vigilante. (O Homem, Deus, Cristo, Buda ou mesmo Hércules, o iluminado que transcende a condição
  4. SATURNO com os seus satélites – É o sexto planeta e o segundo em tamanho, possui três anéis na altura do Equador e mais quinze satélites, dos quais só nove eram conhecidos na época em que os rituais foram escritos. Na Loja, Saturno é representado com os seus três anéis e os seus nove satélites, exactamente sobre o centro geométrico do ocidente. Saturno rege a cadeia de união. Os seus três anéis representam os Aprendizes, os Companheiros e os Mestres Maçons. Os nove satélites representam os nove cargos: Venerável Mestre, Primeiro Vigilante, Segundo Vigilante, Secretario, Orador, Tesoureiro, Chanceler, Mestre de Cerimónias e Guarda do Templo.
  5. MERCÚRIO – Símbolo da astúcia, protector dos viajantes e dos comerciantes. Identificado como Hermes dos gregos, era filho de Maia e de Zeus (Júpiter) de quem recebeu o encargo de mensageiro dos deuses. Carregava um bastão com duas serpentes enroladas (Caduceu) símbolo da paz, (Harmonia e Forças Opostas). É o menor e mais rápido dos planetas, e também o primeiro e o mais próximo do Sol e por isso representa o Primeiro Diácono.
  6. JÚPITER – Era Zeus para os gregos. O maior planeta do sistema solar era o guardião do Direito, o defensor do Estado, protector das fronteiras e do matrimónio. Júpiter é o astro regente do antigo Venerável e por isso fica no Oriente.
  7. VÉNUS – É o segundo planeta e o mais próximo da Terra. Surge sempre próximo à Lua (Primeiro Vigilante) e é o astro regente do Segundo Diácono. Conhecido ainda hoje como “Estrela Vésper”, a primeira a aparecer no céu, Vénus era o “Mensageiro do Dia”, anunciava a hora de começar e de encerrar o período de trabalho.
  8. ARCTURUS – Estrela Alfa da constelação de Bootes. Por sua posição junto à Ursa Maior é conhecida como a “guardiã do Urso” e correspondente ao cargo de Orador, guardião do Oriente. A sua posição é em cima da grade do Oriente.
  9. ALDEBARAN – Estrela Alfa da constelação de Touro, as quais pertencem as Plêiades e as Hyades. Na abóbada maçónica rege o cargo do Tesoureiro.
  10. FOMALHAUT – Alfa Piscis Austrinis – em latim significa peixe do sul, é aqui uma correlação com a coluna zodiacal dos peixes. Fomalhaut é uma palavra árabe que significa “a boca do peixe do sul”, o que se aplica ao cargo de Chanceler.
  11. REGULUS – Alfa Leonis é a estrela mais brilhante na constelação de Leão. Na Astrologia, Regulus sempre manteve posição de comando. Ela dirige todos os trabalhos do paraíso. Foi Nicolau Copérnico quem a baptizou com o nome Regulus, que significa “Regente”. Correspondente ao cargo de Mestre de Cerimónias.
  12. SPICA – Alfa Virginis, em latim, “a Espiga”, é a estrela gerente do cargo de Secretário. Por outro lado, os primitivos instrumentos de escrita usados pelos gregos e romanos não eram penas, mas canetas feitas de caules ocos de vegetais chamadas de “Spícula”.
  13. ANTARES – Alfa Scorpii, a estrela vermelha gigante. Durante muitos séculos, a maior estrela conhecida. Às vezes confundida com Marte, razão do grego a chamar de “O Rival de Marte”. Tanto Antares como Marte, são vermelhas e, ocasionalmente, aparecem próximas. Por esta razão, Antares é conhecida como o astro regente do Guarda do Templo.

Existem, ainda, representadas na Abóbada Celeste do Templo Maçónico, quatro grupos de estrelas pertencentes a quatro constelações, sendo elas:

  1. ORÍON – Constelação equatorial é formada por quatro estrelas brilhantes com uma linha de três estrelas que formam o “Cinto de Oríon” e são popularmente conhecidas como “as Três Marias” ou “os Três Reis Magos”. No Teto do Templo só são representadas as três estrelas, porque representam a idade do Aprendiz, que ainda não tem o domínio do espírito sobre a matéria. Na tradição árabe mais antiga, Oríon era chamada de “A Ovelha de Cinto Branco” e o avental de Aprendiz era feito, na sua origem de pele de carneiro. As três estrelas de Oríon são regentes dos Aprendizes.
  2. HYADES ou HÍADAS. É o notável grupo de cinco estrelas formando a ponta de uma flecha na constelação de Touro. As Híadas são as regentes dos Companheiros.
  3. PLÊIADES – É um outro grupo de estrelas da mesma constelação de Touro. São também conhecidas como “As Sete Irmãs”. Elas regem os Maçons, a paz, plêiade de homens justos.
  4. URSA MAIOR -. É considerada a constelação mais antiga. No tecto da Loja são Representadas as sete estrelas mais importantes que formam a “Charrua”. A última estrela da cauda da Ursa Maior é ALKAID, também conhecida como BENETNASCH; ambos os nomes fazem parte da frase árabe “QUAID AL BANAT AD NASCH”, que significa “A Chefe dos Filhos do Ataúde Mario”. Este nome provém da concepção árabe mais antiga, que representava a Ursa Maior como um caixão e três carpideiras. Esta interpretação interessa à Maçonaria, pois a representação egípcia coincidia com a arábica, de um sarcófago (de Osíris) e a sua viúva (Isis) e o filho da viúva (Orus) em procissão fúnebre.

Ao todo contamos 35 (trinta e cinco) astros existentes na ABÓBADA CELESTE DO TEMPLO MAÇÓNICO, ressaltando a ausência do planeta Marte, o qual para os gregos era o deus da guerra e, como tal, não poderia figurar entre aqueles que buscam a paz e a harmonia universal, por isso foi para o átrio, o reino profano dos tumultos e das lutas.

Por esta interpretação, Marte tem a incumbência de “cobrir o Templo”, sendo o astro do Cobridor Externo, enquanto, do lado de dentro do Templo foi colocado Antares, do Cobridor Interno, para garantir a fronteira entre o mundo iniciático e o profano.

Conclusão

Poderíamos concluir afirmando que, este céu representado nos nossos Templos é o do Hemisfério Norte. Sim, é verdade, no Hemisfério Sul o nosso maravilho céu é diferente, entretanto, a origem do nosso Rito leva-nos às belezas vislumbradas e estudadas pelos nossos valorosos irmãos que nos antecederam e a eles devemos o nosso respeito e gratidão.

Assim, a Abóbada Celeste existente nos Templos Maçónicos preparado para a prática do REAA, estejam eles no Norte ou no Sul, se caracteriza numa gigantesca e inesgotável fonte de pesquisas e estudos, razão de nos levar as mais brilhantes viagens mentais, ou mesmo, de forma simples, vibrarmos unidos em contemplação do belo firmamento a elevar-nos espiritualmente.

Antonio Rodiguero – M. M. – Loja Tiradentes nº 02 – GLMDF

Bibliografia

  • Ritual de Aprendiz Maçom, do R .E .A .A ., de 1804, 1904 e 1927;
  • Astronomia na Maçonaria, do Blog Luz do Universo 1953;
  • A Origem da Maçonaria – David Stevenson – Editora Madras
  • O Firmamento, o zodíaco e a abóbada celeste, brilhantemente exposto no blog do Mestre Maçom da GLMDF, Irmão José Roberto Cardoso.

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